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Depoimentos à CEI vão confirmando que processo de venda dos bens inservíveis da Emdurb foi irregular

Nesta terça-feira (20/01), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias de desvios de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) deu continuidade à sua quarta reunião, que teve início na segunda-feira e foi suspensa após a oitiva do Diretor de Limpeza Pública, Serviços Funerários e Cemitérios da Emdurb, Levi Momesso. Nesta sequência, as oitivas continuaram com mais dois depoimentos.

Estiveram presentes na reunião todos os membros da Comissão Especial de Inquérito: o presidente Marcelo Afonso (PSD), o relator Sandro Bussola (MDB), os vereadores Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante), Estela Almagro (PT), Julio Cesar (PP) e Márcio Teixeira (PL), e José Clemente Rezende, advogado indicado pela OAB – Bauru para compor a CEI.

Confira os destaques do depoimento:

Diretor Administrativo e Financeiro da Emdurb, Bruno Rodrigues Primo

Na primeira oitiva da manhã, o Diretor Administrativo e Financeiro da Emdurb, Bruno Rodrigues Primo, buscou esclarecer até onde ia seu conhecimento sobre o processo de venda irregular das telhas da Rodoviária e qual sua responsabilidade no caso.

Segundo declarou, ele sabia da venda dos bens inservíveis resultantes do vendaval de setembro, mas não da maneira como estava sendo feita, fora dos ritos da empresa. “No meu entendimento, o Levi faria todo o processo de maneira regular”, falou em relação ao Diretor de Limpeza da Emdurb, Levi Momesso. Ele também confirmou que nenhum processo oficial passou por sua diretoria.

A partir do momento que soube do protocolo irregular – pouco antes de se inteirar da denúncia anônima – Bruno Primo disse ter tomado as “atitudes necessárias”, ou seja, foi verificar se existia alguma maneira legal de regularizar a situação e de patrimoniar os bens adquiridos com o dinheiro da venda das telhas ao ferro-velho. A resposta é que isso não seria possível: “tinha que haver todo um rito, como não havia, não tinha como”.

Ele então abriu Comunicados Internos (CI) para verificar a possibilidade de devolver os itens comprados e reaver o dinheiro das lojas Caema e Leroy Merli. Informalmente, as lojas sinalizaram ser possível a devolução dos móveis, mas não do piso laminado. Ainda assim, a orientação interna seria esperar a conclusão da sindicância em andamento na Corregedoria da Emdurb para realizar qualquer ação referente a esse caso.

Em um momento de atrito durante o questionamento da vereadora Estela Almagro, depois de insistência da parlamentar, Bruno Primo chegou a declarar que foi omisso no caso, mas em outros pontos do depoimento reiterou que nunca tentou ocultar ou desvirtuar o que tinha sido feito, buscando alternativas para regularizar o que estava errado e reaver os valores.

Gerente de Limpeza Pública da Emdurb, Wagner Luiz Rodrigues

Servidor de carreira há 16 anos e Gerente de Limpeza Pública há cerca de seis meses na Emdurb, Wagner Luiz Rodrigues foi o segundo depoente na CEI.

Logo no início, ele disse não saber sobre a ciência da presidência e de diretores da empresa sobre a venda das telhas da Rodoviária e posterior compra de bens com o dinheiro proveniente disso, pois, respeitando a hierarquia, responde diretamente ao Levi Momesso.

Na sequência, explicou sua atuação no caso apurado: uma vez que é sua responsabilidade gerenciar a limpeza pública do município, no dia do vendaval foi ele quem entrou em contato com as Administrações Regionais para tirar o material inservível da Rodoviária. Ele também acompanhou a pesagem das telhas no Tuim Sucatas e ficou em posse dos tickets fornecidos pelo ferro-velho (os tickets representam o valor em haver no local, com peso e valor descritos do que foi comercializado).

Wagner confirmou que o dinheiro utilizado na Leroy Merli passou por sua conta pessoal: “entrou e saiu, no valor exato”. Além disso, relatou uma outra situação semelhante, na qual pagou, também por meio de pix da sua conta, o valor de R$ 500 a um prestador de serviços que foi assentar o piso (comprado na Leroy com o dinheiro da sucata) na sala da presidência da Emdurb em um sábado, véspera de seu período de férias. Tudo foi feito seguindo ordens. De acordo com o que sabe, o prestador foi contratado mediante melhor orçamento.

Questionado se em nenhum momento se perguntou sobre a formalização necessária para todo esse rito feito fora do protocolo, Wagner disse que não. “Eu não me atentei, nem questionei, e acabamos fazendo. Eu fiz para tentar ajudar, como era para um bem da empresa, não era para mim nem para ninguém, naquele momento eu entendi que não teria problema. Depois eu raciocinei melhor e vi.. Aí tem a minha parte”, declarou.

Mandado de Segurança e diligência

Durante a reunião, o colegiado informou que emitiu um Mandado de Segurança para que a Emdurb envie à Comissão Especial de Inquérito a cópia integral do processo administrativo em curso na Corregedoria Geral da Emdurb, instaurado para apurar a denúncia objeto de investigação na CEI. Anteriormente, o documento não foi enviado devido à negativa da própria corregedoria.

Além disso, também ficou deliberado que nesta quinta-feira (22/01), às 9h, a CEI fará uma diligência no Tuim Sucatas, ferro-velho que comprou as telhas consideradas inservíveis da Rodoviária.

Reunião continua na sexta-feira

Mais uma vez, a reunião da “CEI dos bens inservíveis da Emdurb” foi suspensa e será retomada nesta sexta-feira (23/01), às 9h. A oitivas devem continuar com o Coordenador de Administração Regional do Bela Vista, da Secretaria de Serviços Urbanos, Augusto Mendes; o Coordenador de Administração Regional do Mary Dota, da Secretaria de Serviços Urbanos, Dimas Tadeu Covolan; o Coordenador de Administração Regional da Independência, da Secretaria de Serviços Urbanos, Ailton Ricardo da Cruz; e o Chefe da Corregedoria Geral da Emdurb, Marco Antonio Resta Cury.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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