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José Roberto Segalla (União Brasil) homenageia o Bauru Tênis Clube (BTC) por seu centenário

Na tarde desta quinta-feira (20/08), a Câmara Municipal de Bauru entregou a Moção de Aplauso n.º 150/2026 ao Bauru Tênis Clube (BTC). Proposta pelo vereador José Roberto Segalla (União Brasil), a homenagem celebra o centenário do clube, seu exemplo de tradição, compromisso social e o fortalecimento do esporte, cultura e lazer na sociedade bauruense.

A cerimônia teve início com a palavra do autor da propositura, que expôs que fica “muito satisfeito” em fazer essa homenagem, uma vez que tem o BTC como “clube do coração”. O parlamentar foi bicampeão brasileiro de tênis pela agremiação ainda na infância, e também já foi presidente da associação. Além disso, Segalla enfatizou que o clube soma mais de 4 mil sócios atualmente: “ser ‘BTCista’ não é simplesmente ser sócio do BTC, é um estado de espírito”, declarou.

Na sequência, os presentes assistiram a um vídeo ilustrativo sobre a história do grupo homenageado.

O vice-presidente do clube, Ricardo de Abreu Constantino, agradeceu a homenagem e relembrou que Bauru tinha apenas 30 anos quando o clube nasceu: “O BTC se confunde com a cidade”, disse. Ainda durante os agradecimentos, outro membro se pronunciou. Luiz Carlos Mendes Junior lembrou da importância da integração entre associados e membros de projetos sociais, principalmente crianças e adolescentes.

A propositura começou a tramitar na Casa de Leis no último dia 22 de junho e foi aprovada pelo plenário da Casa de Leis durante a 21ª Sessão Ordinária do ano, realizada em 30 de junho.

O vereador Junior Lokadora (Podemos) presidiu a cerimônia, que também contou com a presença de Márcio Teixeira (PL) e Dário Dudário (PSD). Já a entrega da honraria coube ao autor da homenagem.

Exposição de Motivos do vereador para a concessão da homenagem:

A ideia de criar um clube de tênis em Bauru surgiu na década de 1920, época em que o desenvolvimento da cidade dava seus primeiros passos. Serviços de iluminação pública e distribuição de água tratada, por exemplo, eram iniciativas recentes e pouquíssimas ruas eram pavimentadas.

Em 1924, o então secretário do consulado japonês no município, Kazukio lryie, em parceria com amigos, construiu a primeira quadra de tênis em um terreno localizado na esquina entre as Ruas Virgílio Malta e Quinze de Novembro. Aos poucos, o entusiasmo em torno do elegante esporte foi contagiando os bauruenses e, em pouco tempo, a cidade já reunia tenistas de renome. Com tanta procura, o grupo conseguiu, por empréstimo, uma autorização do Prefeito José Gomes Duarte para construir mais duas quadras em um terreno localizado na esquina entre as Ruas Antônio Alves e Sete de Setembro.

Assim, o clube foi ganhando forma graças à dedicação de representantes da sociedade. Até que, em 1° de agosto de 1926, foi fundado oficialmente o Bauru Tênis Clube (BTC). O primeiro presidente foi o médico Dr. Jerônimo de Cunto Júnior. O Senhor Victorino Bianchi foi o vice-presidente; o Senhor Walter Zucchi, tesoureiro; e o Senhor Sebastião A. Silva, secretário.

A fundação foi registrada na página principal do jornal Correio de Baurú. A Câmara Municipal, por sua vez, permitiu que fossem construídas as quadras, mediante a condição de revitalização do local escolhido. O serviço de construção foi confiado ao sócio engenheiro Walter Schiller, que também fez o levantamento da planta respectiva.

Em 21 de outubro de 1926, atletas do BTC estreavam em jogos intermunicipais. A vitória foi alcançada pelos tenistas Rufino de Almeida, K. F. Morrisay, Leão de Castro e Walter Zucchi, na cidade de Araraquara. Posteriormente, Fritz Gutt e Kurukawa deram início a uma sequência de grandes conquistas. O BTC chegou ao vice-campeonato do Interior em 1936, foi campeão em 1937, vice em 1938 e novamente campeão em 1939. Nessas vitórias despontaram Gabriel Rabello de Andrade, Waldemar Ferreira, Arildo Soares e Walter Zucchi, entre outros. Portanto, nos anos 30, Bauru já se destacava nos noticiários esportivos. No início da década de 40, novos talentos começaram a surgir, sob a orientação do professor José Stockl. Neste período, nasceu a Equipe da Primavera – imbatível por muitos anos. Seus integrantes: Roberto Cardoso, Luiz Carlos de Barros César e Caio Tasso Pinheiro Brisolla, além do próprio José Stockl, que liderava os jovens.

Em 1943, a Equipe Primavera destacou-se nos Jogos Abertos, derrotando seguidamente as equipes de Rio Claro, Campinas e Sorocaba. A final foi contra o Santos, com triunfo do BTC por 3 a 2. E a disputa não parou por aí! Inconformados, os santistas enviaram um ofício ao BTC pedindo uma revanche. A equipe de Bauru foi até Santos e, novamente, venceu por 3 a 2. Era a consagração do quarteto na modalidade. Paralelamente, a categoria feminina também alcançava projeção, a exemplo de Clélia Teixeira, Nair Zulian Coimbra, Wilma Zulian Cardoso e Cláudia Faillace.

Quando José Stockl se mudou para Curitiba, o diretor de Tênis, Dahyl Guimarães, esportista que também defendeu o BTC em diversos torneios, convidou o tenista Cláudio Sacomandi para assumir o posto e dar continuidade ao trabalho. A sua brilhante atuação revelou atletas que conquistariam ainda mais títulos para o município: seus filhos (Cláudio, Cassia, Carlos e Celso), os irmãos Segalla (José Roberto, José Haroldo e José Cláudio), além de Laurecy Fernandes, Suzy Cury, Martha Cury, as irmãs Cecília e Regina Joaquim, Roger Guedes, Júlio Góes e, posteriormente, Cláudia Faillace. Além de treinador, Cláudio Sacomandi alcançou vitórias inesquecíveis como jogador, principalmente em dupla com Roberto Cardoso.

Grandes talentos descobertos viraram a marca registrada do clube representado pela abreviatura BTC, sobreposta a duas raquetes de tênis cruzadas, em cor vermelha sobre fundo branco. Acima, quatro estrelas de ouro, que representam dois títulos mundiais de tênis universitário, conquistados pelo atleta Luiz Carlos de Barros Cesar, na Alemanha e na Espanha, em 1953 e 1955; o título mundial na categoria 10 anos, conquistado pela atleta Cláudia Noêmia Nelli Faillace em 1979, na Venezuela; e mais recentemente, em 2014, o título mundial conquistado pelo tenista Roger Guedes, na Turquia.

Não podemos deixar de registrar que o BTC foi criado, inicialmente, para a prática do tênis, mas tão logo tornou-se um importante centro de convergência social e política de Bauru. Prova disso foi em 1946, quando ao assumir a presidência do clube, o Dr. Célia de Almeida investiu na aquisição de várias casas na Rua Sete de Setembro, já prevendo o natural crescimento que estava por vir. Assim, em 1960, na terceira gestão de Gabriel Rabello, uma nova Sede Sodal foi construída: o “Transatlântico de Concreto”, como ficou conhecida a construção que, por décadas, foi palco de bailes e festas memoráveis.

Em 1971, na gestão de Walter Pires Ramos, foi inaugurada a Sede Náutica, às margens do Rio Tietê, em uma área de aproximadamente 50 mil metros quadrados na Rodovia Bauru-Jaú, no município de Pederneiras. Em 1996, foi lançada a Marina Porto BTC, oferecendo, na época, serviços de primeiro mundo para as embarcações. E foi ainda na gestão de Walter Pires Ramos que a Sede Social ganhou o famoso Cine BTC e o Cassino do Clube, ambos desativados na década de 1980.

A ideia de fundar uma Sede de Campo surgiu na gestão de Blair Martini, que adquiriu a primeira gleba. Mais tarde, nas gestões de Nilton Silveira e de José Haroldo Martins Segalla, foram incorporadas mais duas grandes áreas, totalizando cerca de 250 mil metros quadrados. Aos poucos, a Sede de Campo ganhou diversas quadras de tênis, novas modalidades esportivas, parque aquático, ginásios poliesportivos, campos de futebol, quiosques, sauna, restaurante, pista de atletismo, academia de ginástica, salão de eventos, além do acolhimento de diversos projetos sociais por meio de parcerias com a iniciativa privada.

Assim, esta homenagem presta o seu mais sincero reconhecimento ao Bauru Tênis Clube, instituição centenária que, por meio de suas atividades e integração comunitária, contribui de forma inestimável para a formação de cidadãos, a promoção do esporte, da saúde, do lazer e da convivência harmoniosa, consolidando-se como um dos maiores patrimônios da história, da identidade e do desenvolvimento do município de Bauru.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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