Na Tribuna: vereadores repercutem Operação Cavalo de Troia e cobram aprofundamento das investigações
Os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco para investigar suspeitas de irregularidades relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru, tiveram destaque no Rol de Oradores da Sessão Ordinária desta segunda-feira (14/09). Parlamentares repercutiram elementos tornados públicos a partir da investigação, defenderam a responsabilização dos envolvidos e cobraram o aprofundamento das apurações. Outros temas relacionados aos serviços públicos e a demandas da população também foram levados à tribuna.
Confira o que disse cada parlamentar:
Cabo Helinho (PL) justificou a sua posição a respeito do pedido da “CEI do Lixo”. Em um primeiro momento, o parlamentar havia se indicado para compor o colegiado. Porém, após a indicação do vereador Sandro Bussola pelo MDB, Helinho abriu mão da sua vaga na comissão e a CEI foi arquivada por falta de membros. O reposicionamento foi feito porque, segundo ele, Bussola deveria se declarar impedido de participar da comissão por ser o líder da base da prefeita na Câmara. Sobre a Operação Cavalo de Troia, Helinho parabenizou os agentes envolvidos. Ele sustentou que as investigações continuem e apurem a possível atuação do crime organizado dentro da administração municipal. Defendeu, também, a revisão de todos os processos com os quais tiveram contato os ex-secretários Vitor Freitas (Negócios Jurídicos) e Cilene Bordezan (Meio Ambiente e Bem-Estar Animal) – presos temporariamente -, incluindo a concessão do Lixo, que, segundo o parlamentar, precisa ser conduzida com transparência.
José Roberto Segalla (União Brasil) cobrou explicações da prefeita Suéllen Rosim (PSD) sobre a nomeação dos ex-secretários presos semana passada na Operação Cavalo de Troia. “Como foi que a senhora escolheu tantos bandidos para estarem ao seu lado?” questionou. Em seguida, ele exibiu trechos da Reunião Pública para discutir o PL que autorizava a concessão do lixo, realizada em dezembro do ano passado antes da aprovação do projeto. No vídeo, Vitor Freitas, Cilene Bordezan e Gisele Moretti (presidente da ASCAM e também presa pela operação), defendem a concessão e reivindicam apoio da Câmara. Segalla também cobrou explicações dos vereadores que foram favoráveis à parceria, apontando que os votos foram dados sem o tempo de análise necessário. “Eu tenho orgulho de dizer que não votei nisso”, declarou, e clamou para que este episódio incite os parlamentares a votarem com mais consciência.
Julio Cesar (PP) defendeu a importância do Projeto de Lei de sua autoria que propõe a atualização das regras para criação de animais de grande porte no perímetro urbano de Bauru (processo n.º 111/26), aprovado em Primeira Discussão nesta segunda-feira. O vereador argumentou que essa também é uma discussão sobre segurança, já que a permanência irregular desses animais pode causar acidentes. Ainda falando sobre a causa animal, o parlamentar chamou atenção para casos de maus-tratos registrados nos bairros Parque Santa Edwiges, Núcleo Fortunato Rocha Lima e Vargem Limpa, e fez agradecimentos à Polícia Civil, Militar e Ambiental pela atuação em favor do bem-estar animal. Julio Cesar também repercutiu o ciclo de Audiências Públicas para a discussão da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2027, e mostrou preocupação quanto a queda no orçamento de algumas pastas, como a da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal. “Infelizmente, algumas secretarias, para o próximo ano, não sei como vão conseguir desenvolver os trabalhos”, declarou. Por fim, se comprometeu a realizar um estudo junto a Secretaria Municipal de Infraestrutura para viabilizar reformas estruturais na região da Vila do Sucesso (antigo Ferradura Mirim).
Eduardo Borgo (Novo) repercutiu novos elementos tornados públicos a partir da Operação Cavalo de Troia e afirmou que vinha alertando, há anos, para possíveis irregularidades envolvendo contratos do Município. O vereador citou trechos dos autos da investigação do Ministério Público que registram relatos da ex-secretária municipal do Meio Ambiente sobre problemas na execução do contrato com a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam) – entre eles, as más condições dos caminhões da coleta seletivas, falhas na execução do serviço e o descumprimento de ações de educação ambiental. Borgo também mencionou declarações atribuídas à ex-secretária sobre a fiscalização do contrato e afirmou que espera a tomada de providências por parte da chefe do Poder Executivo. Ao comentar os atuais desdobramentos da operação do Gaeco, Borgo manifestou expectativa de novas prisões preventivas e afirmou que pretende provocar o Ministério Público para pedir medidas contra o secretário municipal de Governo, Renato Purini. O vereador relacionou a iniciativa a informações que, segundo ele, constam dos autos tornados públicos e envolvem suposto pedido de propina atribuído ao secretário. O parlamentar também destacou a diversidade ideológico de grupos que acompanharam a sessão nas galerias da Câmara, manifestando-se por responsabilizações de agentes públicos envolvidos.
Mané Losila (MDB) também parabenizou o Gaeco pela Operação Cavalo de Troia que, segundo ele, atingiu um esquema de direcionamento de licitação e corrupção em Bauru. O vereador lamentou que interesses particulares possam comprometer investimentos e projetos importantes para a população. Como exemplo, citou a antiga reivindicação pela ampliação do abastecimento de água na região oeste e avaliou que demandas como essa poderiam avançar com maior rapidez caso a administração estivesse concentrada no atendimento às necessidades da cidade. O parlamentar manifestou indignação diante dos fatos investigados e disse se sentir frustrado com os atuais desdobramentos. Losila lembrou que votou contra a concessão dos serviços de resíduos sólidos por não estar convencido sobre o modelo apresentado, mas afirmou que torcia para que a proposta representasse uma mudança positiva para Bauru. Diante das suspeitas reveladas pela operação, avaliou que será necessário “recuar 20 páginas” para construir uma nova solução. Também afirmou que o MDB de Bauru não pretende estar ao lado de um governo marcado por suspeitas dessa dimensão. Ao final, Mané Losila cobrou da Emdurb atenção às linhas de ônibus que atendem os residenciais Vargem Limpa e Harmonia. Segundo o vereador, moradores têm enfrentado veículos lotados e, em alguns casos, não conseguem embarcar para ir ao trabalho. Ele defendeu o reforço do transporte coletivo para os novos residenciais, especialmente nos horários de pico.
Marcelo Afonso (PSD) trouxe preocupações com o orçamento previsto para a Secretaria da Saúde em 2027. Como apresentado na Câmara em Audiência Pública, a pasta deve ter um aumento de 4,93% em sua dotação para o ano que vem, o que fica abaixo do 5,1% calculado da inflação. Para ele, isso traz alertas ao se considerar as dificuldades na saúde primária bauruense, em especial para conseguir leitos suficientes para os pacientes. Diante disso, o parlamentar reforçou o pedido para o Poder Executivo incrementar o número de agentes que atuam no Programa de Saúde da Família (hoje chamado de “Estratégia Saúde da Família”). Atualmente, segundo Marcelo Afonso, o município está bem aquém para atingir as 88 equipes que o Ministério da Saúde considera ideal para cidades do porte de Bauru. Ele defendeu que novos agentes sejam contratados, seja chamando de concursos públicos vigentes, seja abrindo uma contratação emergencial.
Márcio Teixeira (PL) também lamentou os fatos revelados pela Operação Cavalo de Troia e parabenizou o trabalho do Gaeco. O vereador lembrou que apresentou representação contra a licitação da concessão dos serviços de resíduos sólidos e afirmou que vinha questionando o processo há cerca de um ano. Ao comentar as prisões e os elementos divulgados a partir da investigação, defendeu a responsabilização dos envolvidos e atribuiu à prefeita Suéllen Rosim (PSD) responsabilidade política pelos acontecimentos. “Que a Justiça lave a nossa cidade”, declarou. Ainda sobre a concessão, Márcio criticou a Fipe, contratada para a modelagem do projeto, afirmando que a instituição perdeu credibilidade diante dos fatos investigados. O parlamentar também relacionou os desdobramentos da operação a outros contratos públicos firmados com a Estre, empresa citada nas investigações, e voltou a cobrar respostas da administração municipal. Em outro ponto do pronunciamento, Márcio pediu que o Gaeco amplie as apurações para o setor de compras da Secretaria Municipal de Saúde. O vereador afirmou que vem levantando informações sobre a área e que continuará investigando possíveis irregularidades.
André Maldonado (PP) fez questão de esclarecer que seu voto favorável à concessão da gestão do lixo não pode ser relacionado às ações deflagradas na última semana pelo Gaeco, que apuram suspeitas no processo da referida concessão. Ele chegou inclusive a acusar que páginas nas redes sociais estão sendo pagas por candidatos de Bauru a deputado para fazer correlações errôneas: “como se fosse crime aprovar uma PPP”. Maldonado reiterou que acredita que uma parceria público-privada é boa para a cidade e, ao aprová-la, não está de maneira alguma aprovando fraude em edital ou direcionamento de empresa. “Tudo isso é responsabilidade do Executivo e cabe ao Tribunal, ao Gaeco e a todos fazerem a apuração necessária”, defendeu. O vereador também alegou que a Câmara cumpriu seu papel ao aprovar, nesta segunda-feira (14/09), uma Comissão Processante para apurar o caso. Nesse sentido, reforçou que não tem nenhum compromisso com erros ou corrupção, por isso, apoiou que, se os acusados forem realmente culpados, devem pagar por isso. Ao mesmo tempo, clamou para que a população não faça pré-julgamentos com os citados nos relatórios do Ministério Público, pontuando ser importante esperar que haja provas concretas e apurações sem interferência para se apontar, de fato, responsáveis.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


