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Associação de Mulheridades, Transexuais e Travestis é homenageada pela vereadora Estela Almagro por trabalho realizado em Bauru

Na manhã desta quinta-feira (07/08), a vereadora Estela Almagro (PT) entregou a Moção de Aplauso nº 95/2025 à Associação de Mulheridades, Transexuais e Travestis (AMTT) pelo trabalho de inclusão social e defesa por direitos das pessoas trans e travestis em nossa sociedade.

A proposição começou a tramitar na Casa de Leis no dia 26 de maio e foi aprovada pelo plenário na sessão legislativa realizada em 23 de junho.

O vereador Junior Lokadora (Podemos) presidiu a cerimônia e a entrega da homenagem coube à proponente da moção.

Estela lembrou que a moção foi aprovada pela Câmara, mas não por unanimidade, já que seis parlamentares rejeitaram a proposta. “Foi um momento importante que a gente precisa resgatar e ter como referência, inclusive para debater preconceito e inclusão”, mencionou a parlamentar.

“Quero dizer que esta Casa também é de vocês. Esse reconhecimento é um símbolo”, acrescentou a proponente da moção.

Vice-presidente da AMTT, Dalilah de Fátima também destacou o marco representado pela concessão da homenagem: “É muito importante que nós estejamos aqui. Isso é memória, é a história sendo contada”, afirmou antes de pedir que o trabalho da associação receba apoio da comunidade e do Poder Público.

Sophia Rivera, presidente da AMTT, também se manifestou para exaltar o trabalho realizado por militantes que a precederam. E acrescentou: “Aqui a gente reitera que nossa organização é séria e comprometida”.

História da AMTT

O preconceito de gênero é uma das formas de discriminação que desiguala as pessoas impondo tratamento diferenciado e injusto, hostilidade que atinge majoritariamente mulheres, homossexuais, transsexuais, não binárias e qualquer pessoa que desafie os padrões tradicionais de masculinidade e feminilidade impostos pela sociedade.

Historicamente, as estruturas sociais foram construídas sobre a ideia de papéis fixos e naturais, divisão arbitrária gerou profundas desigualdades, como a exclusão das minorias ao convívio social e na participação dos espaços de decisões políticas que fomentam a transformação da sociedade.

No que pese os avanços quanto à preservação dos direitos das pessoas trans e travestis, o preconceito ainda se faz enraizado, ceifando vidas, conforme dados estatísticos do ano de 2024, que registraram 122 mortes de pessoas trans e travestis no Brasil, colocando o nosso país como o mais letal do mundo, posição sustentada por 17 anos consecutivos.

Restritas ao acesso à educação, saúde, moradia e trabalho, pessoas transe travestis enfrentam desafios com a negação do nome social, o uso impróprio de pronomes e a patologização de suas identidades, exemplos cotidianos de violências institucionais que geram profundo impacto psicológico, agravado pela solidão, depressão, ansiedade e por vezes o suicídio, problemas de saúde mental oriundos da falta de apoio familiar e comunitário, amparo que só é possível com a rede de proteção dos mais diversos grupos de apoio.

Contudo, a resistência floresce com os coletivos, associações e lideranças trans e travestis que se organizam para garantir visibilidade, direitos e dignidade, vozes, muitas vezes silenciadas que têm demonstrado força, inteligência e coragem ao ocupar espaços políticos, culturais e acadêmicos como forma de luta por respeito, mas também como sobrevivência.

Fundada em outubro de 2024, a Associação de Mulheridades, Transexuais e Travestis (AMTT) tem como objetivo promover a inclusão social e os direitos humanos de pessoas trans e travestis, iniciativa que surgiu como resposta à necessidade de apoio e acolhimento da população que enfrenta desafios significativos relacionados à identidade de gênero, discriminação e acesso a direitos básicos.

Alicerçada sobre os princípios do acolhimento, prevenção, mediação e enfrentamento, a AMTT desenvolve um trabalho que impacta diretamente nas vidas de quem mais tem sido historicamente invisibilizado(a), ações que fomentam orientações e encaminhamentos para as redes socioassistencial, saúde, educação e acolhimento de violência e/ou violação de direitos.

Com papel fundamental no exercício de apoio a crianças, jovens e adultos trans e travestis em Bauru, a associação atua como mediadora entre famílias e instituições de ensino, facilitando o reconhecimento do nome social e o acesso adequado aos ambientes de higienização pessoal, preceitos garantidos por resoluções do Ministério dos Direitos Humanos e que ainda encontram obstáculos no convívio comunitário.

Ativista dos movimentos sociais e eventos de combate à violência de gênero, a AMTT participa ativamente na organização de atividades na nossa cidade, sendo destaque a 2ª Conferência Municipal LGBTIA+, realizada no mês de maio/2025, considerada foi um marco pela qualidade das discussões, capacidade de articulação e construção coletiva para ampliação do debate nas esferas governamentais, sendo a AMTT delegada eleita para discussões na etapa estadual.

Mesmo diante de dificuldades estruturais e escassez de recursos, a AMTT é presença ativa e afetuosa junto à população trans e travestis, materialização expressa no projeto Laços Vivos que integra o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), atividade que acontece mensalmente com rodas de conversa, oficinas, atividades culturais, momentos de escuta, cuidado e a oferta de atendimento psicossocial em parceria com o Instituto ELAS.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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