Na tribuna: o que foi destaque na fala dos vereadores na sessão legislativa do dia 14 de julho
Na última segunda-feira (14/07), a Câmara Municipal de Bauru realizou a 24ª Sessão Ordinária de 2025. Durante o Rol de Oradores, 17 vereadores usaram a tribuna. Confira o que foi destaque nos discursos:
Pastor Bira (Podemos) repercutiu a Audiência Pública que realizou na última sexta-feira, dia 11 de julho, para debater medidas que podem melhorar a segurança nas escolas municipais. O vereador citou dados apresentados pelo secretário municipal da Educação, Nilson Ghirardello, dando destaque ao fato de que, apenas no primeiro semestre de 2025, ocorreram 76 casos de invasão, furto ou vandalismo em escolas administradas pelo Município. Bira ainda destacou a necessidade de ações práticas, mas lamentou a ausência de recursos para agir com efetividade, o que inclui a implantação do videomonitoramento nos prédios escolares. Na sequência, o parlamentar denunciou a presença de animais soltos em vias públicas de Bauru e cobrou uma fiscalização mais rígida para evitar acidentes. Por fim, expôs, mais uma vez, a falta de iluminação na Praça Dinamares Conti Munhoz, localizada no bairro Octávio Rasi.
Junior Rodrigues (PSD) utilizou seu tempo de tribuna para fazer um apelo à Prefeitura. Segundo o vereador, o Poder Executivo precisa fiscalizar os grandes comércios da cidade – com capacidade acima de 450 pessoas – que ainda não adaptaram os banheiros para pessoas ostomizadas. Ele destacou que essas pessoas são consideradas deficientes pelo Governo Federal e precisam ter dignidade de um ambiente adaptado às suas necessidades, o que está previsto pela Lei Municipal 7.703/2023, de sua autoria.
André Maldonado (PP) agradeceu a Secretaria Municipal de Infraestrutura por intervenções realizadas no Jardim Redentor e no Distrito Industrial II. O vereador, no entanto, expressou insatisfação perante a falta de respostas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal para um ofício que encaminhou à pasta três meses atrás abordando a degradação do espaço para prática de esportes situado na Praça Jorge Zaiden. Maldonado também pediu que o novo secretário de Esportes de Bauru, Leandro Ávila, tenha um cuidado especial com o Bosque do Geisel (Bosque “Gilberto Duarte Carrijo”). O vereador ainda pediu que deputados e senadores da região valorizem as Santas Casas de cada cidade, pois a degradação dos serviços prestados por elas acaba impactando o sistema público de saúde de Bauru, que recebe pacientes desses municípios. Em seguida, Maldonado agradeceu ao senador Marcos Pontes (PL) por ter se manifestado após as críticas que teceu a ele na tribuna na semana anterior, cobrando mais emendas para Bauru, e pediu que o parlamentar do PL esteja cada vez mais presente na cidade. Antes de finalizar sua fala, o vereador anunciou que está empenhado na criação da Associação de Surdos e Mudos de Bauru e solicitou que a Câmara Municipal promova mais políticas de inclusão.
Natalino da Pousada (PDT) tratou inicialmente sobre o direito legítimo das comissões da Câmara de debater sobre os assuntos em pauta no Legislativo, afirmando que a Casa de Leis precisa respeitar esse princípio previsto no Artigo 150 do Regimento Interno. Outro assunto abordado pelo vereador foi sobre a interdição da alça de acesso do viaduto João Simonetti, que está interditada há oito anos, e caso liberada facilitaria o acesso à Avenida Nuno de Assis. Para finalizar, Natalino disse que a cidade precisa evoluir na questão viária e dar mais alternativas para resolver os problemas da população a partir da discussão dentro do parlamento.
Arnaldinho Ribeiro (Avante) usou o tempo em tribuna para propor uma solução para a dívida milionária que a Cohab (Companhia de Habitação Popular) de Bauru possui com a Caixa Econômica Federal: iniciar tratativas com a Emgea (Empresa Gestora de Ativos), empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda que opera na gestão de bens e direitos provenientes da União e de entidades que integram a Administração Pública Federal, para encerrar as atividades da companhia. Arnaldinho defendeu que seja feito um estudo de liquidação da Cohab e afirmou que seria um grande feito para a cidade: “Precisamos avançar nisso”. O vereador ainda ressaltou que Bauru tem assento no fundo curador, o que, na sua visão, confere peso à cidade para debater a questão.
Marcelo Afonso (PSD) iniciou sua fala na tribuna parabenizando os vereadores pela Reunião Pública que debateu a segurança pública do município. Complementando o assunto, o parlamentar relembrou que seu gabinete já realizou uma lei para a aplicação do videomonitoramento nas Unidades de Saúde. Em seguida, o assunto abordado foi sobre os direitos dos animais e os animais soltos nas ruas. Segundo ele, a Comissão de Direito e Proteção dos Animais e Causas Sociais, da qual faz parte, enviou um ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente pedindo uma parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por considerarem que há espaço e expertise suficiente, no Recinto Mello de Moraes, para receber estes animais que estariam soltos. Por fim, o vereador abordou o alto número de carros abandonados no município, o que tem causado transtornos. A solução, na sua opinião, seria investir em um pátio municipal.
Junior Lokadora (Podemos) relatou que moradores da Comunidade do Piquete voltaram a contactá-lo para reclamar sobre problemas com o esgoto na região e fez um apelo à Prefeitura Municipal, pedindo que ela resolva a situação. O vereador também exibiu um vídeo com o projeto de sinalização de trânsito inteligente implementado no estado do Espírito Santo e aproveitou para lamentar o fato de Bauru não promover os mesmos avanços em termos de mobilidade urbana. O vereador ainda expôs a falta de ambulâncias para as unidades de saúde do município, a ausência do aparelho de raio-X na UPA do Mary Dota e a demora para realização de exames de tomografia. Logo, cobrou a contratação de mais funcionários e ambulâncias, afirmando que há dinheiro na cidade, embora ele esteja sendo direcionado para a criação de cargos na Prefeitura.
Emerson Construtor (Podemos) agradeceu à Secretaria de Obras pelos atendimentos nos últimos meses. Para ele, a ação que teve mais destaque até o momento foi das vielas concretadas no Jardim Ouro Verde, que agora facilitam a locomoção tanto a pé quanto em bicicletas e motos. Em seguida, o vereador fez críticas à Secretaria do Meio Ambiente que, no seu entendimento, estaria deixando de lado os pedidos de supressão de árvores. Ele afirmou que há árvores que, por falta de cuidados do município, estariam causando transtorno na utilização das calçadas e caindo nas residências.
Estela Almagro (PT) apontou dificuldades para promover um debate “inteligente e republicano” sobre o papel do Poder Legislativo bauruense e criticou os pares que, segundo a vereadora, estão cedendo aos “interesses mesquinhos, pessoais e oportunistas” do Poder Executivo. Em seguida, explicou porque se opunha do Projeto de Lei nº 69/2025 (processo nº 121/2025), pautado para a sessão, e criticou a forma como a Mesa Diretora conduziu a tramitação da matéria. Estela também dirigiu críticas ao presidente da Casa de Leis, vereador Markinho Souza (MDB), e apontou que a Câmara não pode ignorar ilegalidades e inconstitucionalidades.
Cabo Helinho (PL) deu início à sua fala na tribuna agradecendo à secretária municipal da Agricultura e Abastecimento, Simone Pongitore, ao engenheiro Otaviano e ao veterinário Daniel pela viabilização do projeto que vai atender até 36 crianças pelo método da Equoterapia no Recinto Mello de Moraes. Continuando com o Recinto Mello de Moraes como assunto, o parlamentar discordou das alegações do vereador Marcelo Afonso (PSD) em relação à capacidade do local em abrigar os animais que estariam soltos nas ruas. Na sequência, Cabo Helinho agradeceu ao Senador Marcos Pontes pelo envio de emendas parlamentares para a aquisição de veículos auto bomba para o Corpo de Bombeiros e para a construção do Hospital Amaral Carvalho e do Hospital Municipal.
José Roberto Segalla (União Brasil) começou abordando a Audiência Pública realizada na última sexta-feira (11/07), que debateu medidas para melhorar a segurança nas escolas municipais de Bauru. Ele tratou especificamente sobre o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) nas unidades de ensino, lembrando que várias delas ainda não possuem o documento e que havia um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público, de 2021, para que esse trabalho fosse feito, mas ainda não há informações sobre o andamento do processo. Segalla também exibiu uma matéria para questionar as condições da EMEF Alzira Cardoso, que teve salas isoladas devido a um incêndio em setembro de 2024. A matéria, de fevereiro de 2025, indicava que nada havia sido feito, e, segundo o vereador, a situação persiste. Ele ainda criticou a gestão Suéllen pela falta de verba para cuidar do caso: “Os recapes foram feitos, mas agora não temos dinheiro para nada”.
Julio Cesar (PP) começou seu tempo de tribuna parabenizando dois projetos de Bauru. O projeto “Abrace o Parque” – pelos trabalhos feitos de forma voluntária para preservação, manutenção e conscientização em prol do Parque Vitória Régia – e o “Resgatando Vidas”, iniciativa que leva alimentos para famílias em vulnerabilidade e para pessoas em situação de rua. O vereador também comentou sobre o encontro com o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Bauru e Região, que aconteceu na ALESP, em um evento realizado pelo Deputado Federal Delegado da Cunha. Julio Cesar informou que teve a oportunidade de conversar na ocasião sobre segurança privada (uma área em que ele já atuou), além de aposentadoria especial e treinamentos. Por fim, o vereador fez críticas à falta de cumprimento da lei que puniria as pessoas que maltratam os animais.
Eduardo Borgo (Novo) criticou o que chamou de “modus operandi” do Governo Municipal, fazendo referência à designação de familiares da prefeita Suéllen Rosim (PSD) para cargos na Administração. Ele citou o caso da secretária municipal de Assistência Social, Lúcia Rosim (mãe da prefeita), e do presidente do DAE, Renato Purini (esposo da prefeita). O vereador também discorreu sobre o PL nº 69/2025 (processo nº 121/2025), afirmando que pelo princípio do “paralelismo das formas”, aplicado no campo do Direito, a Comissão Interpartidária da Casa, da qual é membro, tinha a prerrogativa de analisar a matéria antes de ir à votação. O argumento do parlamentar, em última instância, é que, se o colegiado discute a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e o Plano Plurianual (PPA), também deveria poder opinar sobre projetos que promovem alterações nesses instrumentos de planejamento orçamentário. Borgo, por fim, informou que acionará o Poder Judiciário por conta da forma como o processo foi conduzido.
Mané Losila (MDB) iniciou sua fala destacando e agradecendo a Secretária Municipal de Obras por atender suas demandas e realizar a implantação de iluminação pública em três locais, sendo eles: o Bosque Quinta Ranieri, a praça da Quadra 4 da Avenida das Bandeiras e a praça na Quadra 18 da Bernardino de Campos – todas com recursos do Governo Estadual trazidos pelo vereador. Em sequência, o vereador reforçou seu pedido de revitalização da praça Joaquim Guilherme, para tornar o local um ambiente seguro para o uso dos moradores. Por fim, fez um pedido para melhorar o fluxo de trânsito na saída e na chegada à região do Gasparini, da Pousada da Esperança e da Vila São Paulo, justificando que o trecho é muito estreito para suportar a quantidade de veículos que passam ali. Para reforçar seu ponto, o vereador considerou a possibilidade de um novo empreendimento na região que poderia acometer ainda mais a situação e deu a ideia de que a Rua dos Lavradores – que já teria cara de avenida – poderia ser uma sequência que desafogaria o trânsito.
Márcio Teixeira (PL) destacou o trabalho que realiza ao lado do vereador Cabo Helinho, seu colega de partido, para conseguir emendas parlamentares para Bauru e agradeceu ao deputado federal Capitão Augusto pelo repasse de R$ 300 mil à Sorri. O vereador também mencionou que está empenhado na construção de um Projeto de Lei que visa dar segurança e regulamentar o treinamento de corridas de rua. Para finalizar, anunciou que iniciará uma luta para melhorar as condições de trabalho dos fiscais do Município, expondo que a falta de valorização desses profissionais impede uma fiscalização eficaz de terrenos, calçadas e árvores, acarretando problemas para a cidade.
Markinho Souza (MDB) utilizou parte da sua fala para cobrar o senador Marcos Pontes por “esquecer” de Bauru no âmbito do projeto das ferrovias que vão cortar o país e funcionar como um corredor bioceânico que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Segundo o vereador, essa ferrovia bioceânica, resultado de uma parceria entre o Brasil e a China, ajudaria a revitalizar o centro da cidade ou, até mesmo, a construir um Ferroanel no município. Ainda sobre o tema ferrovias, Markinho comentou sobre a reativação do trecho Tupã-Panorama e questionou se a cidade de Bauru estaria sendo contemplada nesse projeto da Rumo. Para encerrar seu discurso, o vereador agradeceu a correção feita pelo Jornal de Cidade sobre os gastos da Câmara Municipal e ressaltou que a de Bauru é uma das mais econômicas.
Miltinho Sardin (PSD) questionou com frustração sobre a dificuldade de colocar em prática o projeto das “ruas acalmadas”, pelo qual o vereador tem lutado desde 2023. Ele citou a cidade de Maringá (PR) como um exemplo a ser seguido em relação ao assunto. Miltinho criticou as justificativas apresentadas para a não implementação da ideia em Bauru e sugeriu que a Prefeitura faça o teste de viabilizar ao menos uma rua acalmada para verificar a eficácia da iniciativa. Em seguida, também com inspiração em Maringá, o parlamentar apresentou a ideia das “Praças Pet”, também conhecidas como Parcão, que são locais com estruturas que visam o bem-estar animal. Ele citou o Parque Vitória Régia como uma das áreas que poderiam ser contempladas em Bauru.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


