Carregando agora
×

Em terceira reunião, “CEI do Fundo Social” ouve cinco pessoas citadas em depoimento de Damaris Pavan

A Câmara Municipal de Bauru promoveu na manhã desta terça-feira (10/06) a terceira reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que visa apurar supostos desvios de bens sob a guarda do Fundo Social de Solidariedade.

A Comissão é presidida pelo vereador Sandro Bussola (MDB) e tem André Maldonado (PP) como relator. Além deles, os demais membros do colegiado, Dário Dudário (PSD) e Beto Móveis (Republicanos) acompanharam a oitiva – Pastor Bira (Podemos), de atestado médico, acompanhou de maneira remota.

Também estiveram presentes os vereadores Cabo Helinho (PL), Eduardo Borgo (Novo), Emerson Construtor (Podemos), Estela Almagro (PT), José Roberto Segalla (União Brasil), Julio Cesar (PP), Junior Lokadora (Podemos), Junior Rodrigues (PSD), Márcio Teixeira (PL) e Miltinho Sardin (PSD), presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Casa de Leis.

O objetivo da reunião era ouvir e fazer questionamentos a pessoas citadas no depoimento da denunciante, Damaris Pavan. No total, foram realizadas cinco oitivas durante a manhã. Foram elas:

Andrea Cristina Storolli, ex-assessora administrativa do Gabinete da prefeita

A primeira depoente convidada da manhã foi a ex-assessora administrativa do Gabinete da prefeita, Suéllen Rosim (PSD), Andrea Cristina Storolli. No Fundo Social, ela atuava na organização da parte administrativa, como arquivos e planilhas de entrada e saída de cestas básicas.

Em seu depoimento e respondendo aos vereadores, detalhou a rotina de recebimento de doações de diversos itens oriundos de inúmeras empresas e instituições, mas afirmou não ter conhecimento sobre desvio de bens nem direcionamento deles a MIPE (Ministério Produtores de Esperança), igreja vinculada à família da prefeita. Em relação a igrejas, sabe apenas que havia algumas com trabalho social cadastradas entre as entidades recebedoras de cestas.

Além disso, ela disse não se lembrar de doações grandes no período em que atuou no Fundo Social. Segundo Andrea, a maioria era de roupas usadas e comida, o que não era documentado, apenas relacionado. Muitas vezes, havia pouco controle de saída das cestas, por exemplo.

Já sobre Damaris, com quem trabalhou por cerca de um ano, comentou que tinham uma relação amigável, mas que a ex-assessora comissionada era uma pessoa “difícil de lidar”. Ao sair do Fundo Social, lembra de Damaris dizer que só não tinha sido mandado embora porque ela “sabia”.

Elisangela Cardoso do Prado Pereira, assessora de Gabinete da prefeita

Atualmente assessora de Gabinete da prefeita, a segunda depoente da manhã atuou como presidente interina do Fundo Social de Solidariedade em 2022, período que abrange as denúncias de Damaris Pavan. Assim como Andrea Cristina, Elisangela Cardoso do Prado Pereira também afirmou desconhecer irregularidades no Fundo, desvio de itens doados ou doações específicas a igrejas.

Ela detalhou como era feito o fluxo de registro de entrada e saída de doações: quando o item chegava ao Fundo, era registrado em relatório a quantidade e de onde veio; na saída também era registrado quem recebia. Ela destacou que os pedidos por cestas chegavam ao órgão de todas as formas possíveis, inclusive com pessoas indo diretamente ao Fundo, e que o critério de recebimento era informar o documento, no sentido de que “o credo religioso não importava”.

Sobre as mensagens de celular divulgadas à imprensa por Damaris Pavan, a depoente ainda comentou que muitas falas tinham um contexto maior. Por exemplo, quando se fala sobre “separar a sacola”, diz respeito à separação de itens de roupa de cama – na época, não era possível doar roupas devido à Covid 19. “Não havia igreja específica na conversa então?”, perguntou o vereador André Maldonado, no que ela respondeu: “de forma alguma, eram assuntos anteriores que foram tirados de contexto”.

Daniel de Souza Almeida, ajudante geral da Prefeitura

Citado por Damaris como uma das pessoas que ajudou a carregar um caminhão com um freezer destinado à doação irregular, Daniel de Souza Almeida afirmou até ter visto o item no Fundo Social, mas que não o carregou para fora de lá. Ele também negou ter carregado eletrônicos com destino a MIPE.

Servidor público, não se lembra de presenciar nenhum fato atípico no período em que ajudava prestando serviços ao órgão. Alegou que foi para a Secretaria de Obras em 2022.

Leonardo Marcari, chefe de Gabinete da prefeita

Na sequência, o chefe de Gabinete da prefeita, Leonardo Marcari, retificou as informações já prestadas em depoimento à Polícia Civil, no qual alegou desconhecer irregularidades no Fundo Social. Além disso, ele negou ter ameaçado Damaris Pavan e reforçou acreditar que as denúncias feitas por ela foram motivadas por vingança.

Pedro Alves Ribeiro Neto, motorista da Prefeitura

A quinta e última oitiva da terça-feira foi de Pedro Alves Ribeiro Neto. Atualmente motorista na Secretaria de Assuntos Regionais (SEAR), no período relativo às denúncias prestava serviço à Damaris dirigindo para entregas de cestas e itens em residências, ONGs e igrejas. Ele parou com o trabalho por divergências com a ex-assessora comissionada, entre outros motivos.

Assim como os outros depoentes, também alegou não ter presenciado irregularidades no Fundo Social de Solidariedade nem ter feito entregas a MIPE, embora tenha afirmado que Damaris usava o órgão para fins particulares: “Ela implicava muito, porque eu questionava a razão de serem sempre os mesmos lugares. As mesmas pessoas recebiam sempre, eram pessoas conhecidas pela Damaris”, falou, mencionando que cestas foram entregues à mãe dela. Apesar disso, reiterou que nunca foi pedido a ele que fizesse algo de cunho duvidoso.

Como motorista, não tinha conhecimento do processo de entrega ou dos critérios estabelecidos para definir a destinação das doações.

Próxima reunião

A próxima reunião da “CEI do Fundo Social” está agendada para a terça-feira, dia 24 de junho, às 15h. Novas oitivas devem ser realizadas, com nomes ainda a serem definidos.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

Vagas de Emprego