“CEI dos Bens Inservíveis da Emdurb” conclui quinta reunião com cinco depoimentos
Ao longo da manhã desta terça-feira (27/01), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias de desvios de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) realizou sua quinta reunião. Cinco servidores da Emdurb foram ouvidos pelo colegiado.
Além do presidente da CEI, o vereador Marcelo Afonso (PSD), estiveram no Plenário “Benedito Moreira Pinto” os membros Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante), Estela Almagro (PT), Júlio César (PP), Márcio Teixeira (PL) e José Clemente Rezende, advogado indicado pela OAB – Bauru para compor a comissão.
Confira aqui o que foi destaque nos depoimentos:
Fiscal de Transporte da Emdurb, Luiz Adriano de Souza Carvalho
Luiz Adriano é o servidor que adquiriu e forneceu madeiras e pregos para a obra do refeitório da Emdurb em troca de 17 telhas retiradas do Terminal Rodoviário após o vendaval do dia 22 de setembro de 2025.
O depoente confirmou que as telhas foram usadas numa propriedade privada dele e a permuta autorizada por Levi Momesso, diretor de Limpeza Pública da Emdurb.
De acordo com Luiz Adriano, Wilson Miranda, pedreiro que atua no setor de manutenção da empresa municipal, comentou sobre a necessidade dos materiais de construção e apresentou a Momesso o interesse do fiscal de Transporte na permuta.
Luiz Adriano, no entanto, não soube informar como foi estimado o valor das 17 telhas. Apenas apresentou a nota fiscal dos materiais que adquiriu, que somaram um total de R$ 3.856,52 (como o pagamento foi realizado à vista, a loja concedeu um desconto de quase 500 reais, derrubando o preço final para R$ 3.390,00). A lista dos itens adquiridos foi elaborada por Wilson.
Ele também contou à Comissão que contratou transporte particular para buscar as telhas no Terminal Rodoviário e levá-las à sua propriedade. O que ocorreu cerca de 15 dias após ele comprar a madeira objeto da permuta.
Encarregado do Terminal Rodoviário, Ari Reginaldo Lopes de Souza
Ari relatou que, após solicitação oral de Levi Momesso, diretor de Limpeza Pública da Emdurb, fez a cotação de preços para a comercialização dos bens inservíveis advindos do Terminal Rodoviário em diversos ferros-velhos de Bauru.
De acordo com o depoente, ele não estava acostumado a realizar o procedimento no âmbito da empresa municipal e não recebeu orientações sobre o modo como deveria realizá-lo. Com isso, apenas recolheu os papéis emitidos pelos estabelecimentos e os entregou a Levi.
Ari citou que não fez a cotação no Tuim Sucatas, nem participou da pesagem das telhas. Ele confirmou, no entanto, que acompanhou o serviço de assentamento do piso laminado instalado na sala da presidência da Emdurb, mas não participou da cotação do serviço ou do ato da compra.
Assessor Administrativo da Emdurb, João Elder Feres Ruiz
Embora seja responsável pela patrimonialização de bens da Emdurb, José Elder alegou que não foi informado da chegada de novos móveis para a sala da presidência. Ele fez a contagem deles após solicitação do diretor Financeiro e Administrativo da Emdurb, Bruno Primo. “Acho que a Comissão (Especial de Inquérito) pediu a relação dos materiais que estavam lá”, relatou.
João Elder ainda relatou que atendeu o pedido de Levi Momesso para realizar uma “cotação rápida” para a venda dos materiais retirados do Terminal Rodoviário. Indagado sobre o procedimento que utilizou, ele informou que levou um pedaço de telha para cotar em dois locais: os ferros-velhos Canaã e Ferreira. A projeção foi entregue a Levi, que na sequência pediu que ele também fizesse a cotação no ferro-velho Tuim.
O assessor administrativo, no entanto, disse não saber porque essa consulta de preços não foi formalizada em um processo interno.
Gerente Financeiro da Emdurb, Sidnei Aparecido de Souza
Durante o depoimento prestado à CEI, Sidnei afirmou que ficou sabendo das irregularidades apenas depois da denúncia apresentada à Câmara Municipal e defendeu que a Gerência Financeira é um “órgão fim”, e não um “órgão operacional”. Com isso, caberia ao setor que gerou o resíduo que será comercializado dar início ao processo administrativo.
Nesse sentido, Sidnei também argumentou que não cabe ao setor dele apurar os reais valores praticados na comercialização dos bens inservíveis retirados do Terminal Rodoviário.
Ele destacou ainda que não existe procedimento aberto para garantir que os recursos que ainda estão sob posse do ferro-velho Tuim Sucatas sejam incorporados ao caixa da Emdurb. Há um compasso de espera pelos desdobramentos da sindicância em curso na empresa municipal.
Pedreiro da Emdurb, Wilson Miranda
O depoente confirmou que foi o responsável pela elaboração da lista de materiais envolvidos na permuta com o servidor Luiz Adriano e contou que também fez a cotação de preços junto a três lojas da cidade. Mas tudo sob as ordens de Levi Momesso.
Com isso, Luiz adquiriu as madeiras e pregos na loja que registrou o menor preço: R$ 3.856,52 (ao final, como o pagamento foi feito à vista, o valor caiu para R$ 3.390,00). Eles foram entregues no próprio Terminal Rodoviário, segundo Wilson.
Indagado pelos membros da CEI, ele gerou surpresa ao confirmar que é ele quem faz as cotações na Emdurb quando se trata de aquisição de materiais para construção.
OITIVAS CONTINUAM NESTA QUARTA-FEIRA
A sexta reunião da “CEI dos Bens Inservíveis da Emdurb” já tem data: será nesta quarta-feira (28/01), às 9h. Estão previstas as oitivas das seguintes pessoas: o proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso; a motorista da Emdurb, Melania Aparecida Manso Collis; o supervisor de Remoção de Resíduos e Mutirões da Prefeitura, Carlos Bevilacqua; e o motorista da Prefeitura, Pedro Alves Ribeiro Neto.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


