“CEI dos Bens Inservíveis da Emdurb” recebe relatório da corregedoria da empresa municipal
Na manhã desta quarta-feira (28/01), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias de desvios de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) realizou sua sexta reunião, dando continuidade à série de oitivas convocadas pelo colegiado. Desta vez, quatro depoentes foram ouvidos.
Além do presidente da CEI, o vereador Marcelo Afonso (PSD), estiveram no Plenário “Benedito Moreira Pinto” os membros Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante), Márcio Teixeira (PL) e José Clemente Rezende, advogado indicado pela OAB – Bauru para compor a comissão. Integrantes do colegiado, Julio Cesar (PP), Estela Almagro (PT) e o relator Sandro Bussola (MDB) se ausentaram por compromissos pessoais.
Também acompanharam os depoimentos os vereadores Markinho Souza (MDB) e Cabo Helinho (PL).
Proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso
O proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso, compareceu à oitiva acompanhado por seu advogado.
Durante o depoimento, ele informou que os caminhões da Administração Municipal fizeram cinco viagens até o ferro-velho. No total, foram transportados 2.383,9 kg e pago R$ 0,50 pelo quilo dos materiais de ferro (luminárias) e R$ 9 pelo quilo dos itens de alumínio (telhas).
Segundo o proprietário do ferro-velho, foram feitos quatro pagamentos por pix. Dois para a conta de Wagner Luiz Rodrigues, gerente de Limpeza Pública da Emdurb. Ambos no dia 7 de novembro de 2025: R$ 3.274,08 e R$ 400.
Ainda no dia 7 de novembro, segundo o proprietário da Tuim Sucatas, foi feito um pix de R$ 4.400,00 para a Caema Madeiras. Já no dia 11 do mesmo mês, foram enviados R$ 2 mil para a conta da Leroy Merlin.
Wagner Cardoso também confirmou que foi realizado um pagamento em espécie no valor de R$ 254,00 para o gerente de Limpeza Pública da Emdurb.
O proprietário da Tuim Sucatas ainda afirmou que não foi emitida nota fiscal, pois o combinado com Wagner Luiz Rodrigues era que o procedimento ocorreria após o gerente retornar das férias na Emdurb. O dono do ferro-velho declarou, no entanto, que desde o surgimento das denúncias não foi procurado por nenhum representante da empresa municipal. Motivo pelo qual ainda mantém R$ 11.402,68 que seriam da Emdurb na conta da empresa.
Na sequência, Wagner Cardoso confirmou que não há materiais retirados do Terminal Rodoviário no ferro-velho neste momento, pois já foram prensados e vendidos. Ele também declarou à Comissão que aceitou fazer a compra dos materiais por conta da informação que recebeu do gerente de Limpeza Pública da Emdurb: “Comprei porque foi dito que foi dispensada a licitação”, afirmou.
Por fim, o dono do ferro-velho explicou ao colegiado que ainda não dispõe de sistema de monitoramento capaz de armazenar imagens por mais do que 30 dias. Com isso, não teria o registro da movimentação no local durante o período investigado pela Comissão Especial de Inquérito.
Motorista da Emdurb, Melania Aparecida Manso Collis
Há cerca de um ano na empresa, a motorista Melania atende o setor da presidência da Emdurb. Em um depoimento breve, ela confirmou que esteve com a presidente Gislaine Magrini na Caema, loja em que foram comprados móveis com o dinheiro da venda das telhas do Terminal Rodoviário.
Supervisor de Remoção de Resíduos e Mutirões da Prefeitura, Carlos Bevilacqua
Servidor da Secretaria de Serviços Urbanos pela Administração Regional da Bela Vista, Carlos Bevilacqua declarou à Comissão que fez duas viagens para levar bens inservíveis do aterro para o ferro-velho Tuim Sucatas, acompanhado de viatura e reeducandos da Emdurb. Ele não sabia qual seria o destino do material, disse.
Além disso, Carlos expôs que acompanhou a entrega dos itens, mas de dentro do caminhão. “Minha função foi levar as telhas, subir o caminhão na balança e manobrar para descarregar”, afirmou, justificando que não conseguiu ver o peso da sucata.
Com quase 30 anos de Prefeitura, Carlos ainda pontuou que foi a primeira vez que viu esse tipo de operação. “Nunca aconteceu isso”.
Motorista da Prefeitura, Pedro Alves Ribeiro Neto
Alocado na Administração Regional da Independência, o motorista Pedro fez uma viagem da Rodoviária ao ferro-velho Tuim para levar luminárias. Assim como Carlos, ele também foi escoltado com carro da Emdurb, o material foi descarregado por reeducandos e ele permaneceu dentro do caminhão durante o processo.
Segundo recorda, ele chegou a ser solicitado para mais um transporte em outro dia, mas, ao chegar na Rodoviária, foi informado de que o serviço já tinha sido feito por outro caminhão.
Assim como foi recorrente nos depoimentos de outros servidores ouvidos, ele reforçou que foi a primeira vez que levou esse tipo de material a um ferro-velho. Questionado por vereadores se não achou isso estranho, o motorista respondeu: “Muito”.
Próximo encontro
Durante os trabalhos desta quarta-feira, a Comissão Especial de Inquérito recebeu cópia do relatório da corregedoria da Emdurb, que também investiga o caso. A próxima reunião do colegiado está prevista para o dia 03 de fevereiro (terça-feira), às 14h.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


