Cacica Suiyane Sobrinho Txukarramãe recebe Moção de Aplauso de Estela Almagro (PT)
Na manhã desta quinta-feira (05/08), a vereadora Estela Almagro (PT) entregou a Moção de Aplauso n.º 163/2026 à Suiyane Sobrinho Txukarramãe de Oliveira Almeida, cacica da Aldeia Multiétnica “Cacique Tibúrcio Tallihu”. O reconhecimento se deve ao trabalho realizado por ela junto à comunidade indígena da nossa região
A propositura começou a tramitar na Casa de Leis no dia 30 de junho de 2026 e foi aprovada, por unanimidade, na Sessão Ordinária realizada em 6 de julho.
O vereador Márcio Teixeira (PL) presidiu a cerimônia, enquanto a proponente da moção ficou responsável pela entrega da homenagem.
Estela pontuou a importância da homenagem, considerando o pioneirismo e a trajetória da cacica Suiyane. A vereadora afirmou que grande parte da sociedade brasileira, inclusive aqueles que ocupam posições de poder, desconhecem a história e cultura dos povos originários.
Ela ainda lembrou a história da mãe de Suiyane, Jupira Manoel Sobrinho, que teve uma vida marcada pela luta pela representatividade indígena, inclusive na Câmara Municipal de Bauru. “Trabalhemos para que outras Suiyanes, outras Jupiras surjam e permaneçam”, declarou a parlamentar.
Suiyane, por sua vez, expressou a sua gratidão à vereadora. Ela afirmou que a homenagem valoriza a luta dos povos indígenas na região e representa a força de seus ancestrais, além de todos que diariamente lutam para manter viva a cultura, a identidade e os direitos deles.
Emocionada, a cacica dedicou a honraria à mãe: “foi quem me ensinou a caminhar com dignidade, coragem e amor pelo nosso povo”, disse.
Assim como outras lideranças indígenas, Ricardo Terena, primo da homenageada, esteve no Plenário “Benedito Moreira Pinto”. Ele contou como surgiu a aldeia multiétnica comandada por Suiyane e explicou como ela foi escolhida para ocupar a posição.
Todos os depoimentos podem ser conferidos no vídeo abaixo:
Exposição de motivos para a homenagem:
Em nosso país, ainda remanesce uma dívida histórica com os povos indígenas, representando uma das maiores contradições da formação nacional, visto ser um país que nasceu da riqueza extraída da terra e da exploração de seus recursos naturais, e carrega, ao mesmo tempo, a marca da violência praticada contra aqueles(as) que por primeiro habitaram este território.
A construção do Estado brasileiro foi edificada com uma ocupação forçada das terras indígenas, impondo o apagamento cultural de centenas de povos originários e a imposição de um modelo econômico que historicamente privilegiou os interesses das elites agrárias e econômicas, em detrimento da dignidade humana e da preservação da vida ancestral.
Em nome da expansão territorial e da exploração econômica, os povos originários foram perseguidos, escravizados, mortos por conflitos armados e devastados por doenças, histórico que retrata um período que ainda precisa ser reparado com políticas públicas de inclusão e respeito às etnias que ainda permanecem dispersas pelos rincões do Brasil, sendo a voz da resistência.
Nesse contexto, destacam-se as etnias Terena e Kayapó, tendo como referência o Cacique Tibúrcio que, junto à sua esposa Ester, migraram do Mato Grosso do Sul para Bauru, oportunidade na qual desempenharam papel de liderança nas aldeias das etnias Terena e Guarani, trabalho que proporcionou o cuidado e o respeito com as tribos.
Com atuação nas atividades desenvolvidas na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), a família do cacique, representado pelos filhos(as), avançou no trabalho de luta em defesa aos povos indígenas, motivo pelo qual muitos migraram para os centros urbanos, dentre eles a jovem Suiyane Sobrinho Txukarramãe de Oliveira Almeida, neta do cacique Tibúrcio.
O conflito cultural, os costumes e idiomas foram os grandes desafios da jovem que enfrentou adversidades participando ativamente nas ações e projetos desenvolvidos pela FUNAI, atividade que acompanhava com os seus pais Megaron Txukarramãe e Jupira Manoel Sobrinho, que junto ao órgão federal desenvolveram trabalhos como técnico indigenista e diretor do Parque Xingu.
Atuante nas políticas indigenistas, a família intensificou suas ações, tendo como referência o advento da Constituição de 1988, que trouxe maior reconhecimento e segurança aos povos originários, de modo particular, o direito aos territórios, luta que remanesce até os dias atuais, dinâmica que impulsionou a família de Suiyane a perseverar na construção de direitos e políticas públicas, difundindo a formação e o engajamento da comunidade indígena.
Com a morte das lideranças indígenas, dentre elas a representatividade feminina de Jupira Sobrinho, a comunidade teve necessidade de eleger novas lideranças para continuar os trabalhos construídos, de modo particular com as mulheres, sendo designada sua filha Suiyane, que já intencionava seguir os projetos de sua mãe, falecida no ano de 2020.
A representatividade feminina indígena nos cargos políticos inspirou o trabalho de Suiyane, que junto a outras mulheres, trouxe maior visibilidade às pautas indígenas, possibilitando melhor interação nas reuniões e congressos entre as etnias, sendo destaque sua representatividade no Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI), órgão do qual sua mãe foi uma das fundadoras.
À frente da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (AMICOP), órgão fundado na nossa cidade na década de 1990, Suiyane segue com a missão de fortalecer a organização das mulheres indígenas valorizando a cultura, os saberes ancestrais e a participação feminina nos espaços de decisão.
Com a projeção dos trabalhos realizados em favor da comunidade, as lideranças indígenas observaram o desempenho de Suiyane pela preservação da ancestralidade e defesa dos diretos dos povos originários, elegendo-a no ano de 2025 como cacica da aldeia Cacique Tibúrcio Tallihu, sendo responsável por cerca de 80 famílias na aldeia multiétnica.
Tendo em vista o propósito de manter suas culturas, tradições e costumes, a comunidade indígena reivindica um espaço para alojamento da primeira aldeia urbana, medida que proporcionará o acesso às políticas públicas de saúde, educação e assistência social, respeitando as especificidades de cada do povo.
O histórico de luta da cacica Suiyane corre nas veias, tradição que remonta os seus antepassados, sendo destaque o seu avô Raoni Metuktire, um dos mais reconhecidos líderes indígenas do Brasil, referência internacional na defesa dos direitos dos povos originários e da Floresta Amazônica, exemplo que fortalece sua liderança indígena.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


