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Dr. Helder recebe Título de ‘Cidadão Bauruense’ e revisita história da família e vínculo com a cidade

Uma homenagem que levou o médico Helder Fernandes de Aguiar de volta às próprias origens. Ao receber o Título de “Cidadão Bauruense” da Câmara Municipal, na noite desta sexta-feira (18/09), o otorrinolaringologista percorreu lembranças dos pais, da infância, da paixão pelo futebol e da medicina para contar como Bauru se tornou a cidade onde construiu sua vida, sua carreira e sua família.

A honraria foi entregue pelo vereador Junior Lokadora (Podemos), autor da iniciativa. A Sessão Solene também contou com a presença dos vereadores José Roberto Segalla (DEM), Cabo Helinho (PL) e Mané Losila (MDB), além da ex-vereadora Catarina Carvalho, presidente da APIECE Bauru.

Helder fez questão de agradecer a Junior Lokadora e a Catarina. Segundo o médico, foi durante uma conversa com a ex-vereadora que ela descobriu que, apesar da longa relação que ele mantém com Bauru, não havia nascido na cidade. O homenageado atribuiu a ela papel importante no caminho que levou à concessão do título.

Vínculo do coração

Depois da entrega da placa, Kelly de Souza, companheira de Junior Lokadora, entregou flores a Luciana Bodini Ferreira de Aguiar, esposa de Helder. Na sequência, um vídeo recuperou a relação do médico com Bauru a partir de um olhar familiar, com depoimentos de Luciana, dos filhos Helder Filho e Flávia e dos netos Davi e Alice.

Ao justificar a homenagem, Junior Lokadora afirmou que a Câmara estava formalizando um vínculo que, para ele, já havia sido construído pela própria história de Helder.

“É muito bonito ver alguém que olha para Bauru e sente orgulho de pertencer a esse lugar e gratidão por estar aqui. A Câmara está apenas colocando no papel tudo o que sua história já mostrou”, afirmou.

Técnico de enfermagem, Lokadora também aproximou a própria experiência na área da saúde da trajetória do homenageado. “A maior alegria é cuidar das pessoas. Poder homenagear um profissional que fez tanto por tantas vidas é uma grande honra. A partir de hoje, aquilo que o senhor carregava no coração passa a estar registrado oficialmente”, declarou.

Um título desejado e uma viagem pela própria história

Helder revelou que o reconhecimento tinha um significado ainda mais particular: tornar-se oficialmente cidadão bauruense era um desejo antigo, embora nunca imaginasse que um dia receberia a honraria: “Reconheço que sempre quis esse título, mas nunca achei que fosse ganhar”.

A notícia fez o médico se lembrar da redação da prova vestibular para Medicina, em 1977. A proposta pedia que o candidato imaginasse receber, no aniversário de 18 anos, uma fotografia tirada no dia de seu nascimento. Quase cinco décadas depois, Helder encontrou no título o mesmo convite para olhar para trás.

“Quando recebi esse título, me senti da mesma forma quando me deparei com aquela prova. Comecei a fazer uma retrospectiva da minha vida”, relatou.

Origens

E foi pela família que começou essa retrospectiva. Helder atribuiu muito do caminho que percorreu à formação recebida dos pais, Maria, professora primária, e José, bancário.

Maria nasceu em uma fazenda de Piratininga e era a caçula de 13 filhos de um casal de portugueses. José teve uma infância marcada por uma realidade bastante diferente. Filho de um balconista potiguar e de uma portuguesa que trabalhava como lavadeira, ajudava a família colhendo algodão. Ainda jovem, perdeu o pai, atropelado por um trem, e começou a trabalhar em um banco.

Foi em Piratininga que as histórias dos dois se encontraram. Helder contou que a mãe caiu de bicicleta e foi socorrida por José. O episódio deu início à aproximação entre eles. Apesar da resistência inicial da família dela ao relacionamento, os dois se casaram em janeiro de 1958.

A vida do casal seria marcada por mudanças. Helder nasceu em Garça, para onde o pai havia sido transferido a trabalho. A família passou ainda por São Carlos e pelo interior do Paraná, onde José trabalhou na abertura de uma estrada que ligava o norte do estado a Curitiba.

Ao recordar esse período, Helder destacou a disposição da mãe para acompanhar a família mesmo diante de uma realidade muito diferente daquela em que havia crescido. Com os filhos ainda pequenos, ela chegou a viver em um acampamento instalado para os trabalhadores da obra.

Depois do retorno ao interior paulista, José voltou a trabalhar em um banco. Foi nesse momento que, como definiu o próprio homenageado, começou sua história com Bauru. A irmã caçula nasceu na cidade e a família passou a construir aqui vínculos que permaneceriam ao longo das décadas.

Entre a bola e os estudos

O futebol entrou cedo nessa relação. Ainda menino, Helder jogou no Cruzeirinho da 12 de Outubro, na região da Bela Vista. Depois de participar de uma peneira, passou a atuar na base do Noroeste.

Uma nova transferência profissional do pai levou a família para Londrina, onde Helder também jogou futebol. A permanência no Paraná, porém, não durou muito. Segundo ele, o pai sentia falta de Bauru e acabou mudando novamente de emprego para retornar à região.

Ao falar da infância, o médico contrapôs com bom humor as diferentes formas como os pais educavam os filhos.“A minha mãe não tirava pedra do caminho, ela asfaltava a estrada para a gente passar. Meu pai tirava e colocava pedras. Ele dizia que eu só aprenderia se caísse. Quando a pedra era muito grande, ele aparecia e ajudava”, recordou.

Embora descrevesse José como um homem severo e pouco afeito a demonstrações de carinho, Helder destacou o exemplo que recebeu dele: “Nunca vi meu pai fazer uma coisa errada”.

O sonho de infância era seguir no futebol. O caminho profissional, entretanto, acabou sendo outro. “Eu tinha o desejo de ser jogador de futebol, mas acho que meu talento realmente era para a medicina”, brincou.

Quase quatro décadas dedicadas ao Centrinho

Helder ingressou no curso de Medicina da Unesp de Botucatu, onde se formou em 1983 e concluiu residência e especialização em Otorrinolaringologia em 1986.

A aproximação com o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) começou ainda durante a residência. Em 1985, foi convidado pelo professor José Alberto de Souza Freitas a participar de um projeto voltado ao atendimento de pessoas com deficiência auditiva. Dois anos depois, em julho de 1987, passou a integrar oficialmente a equipe da instituição.

Ao longo de quase quatro décadas, Helder participou do atendimento a pacientes de diferentes regiões do país e ocupou funções como a presidência da Comissão de Ética, a chefia do Serviço de Otorrinolaringologia e a chefia do Departamento Médico. Também participou do processo de criação da Faculdade de Medicina de Bauru.

Paralelamente à atuação no serviço público, construiu carreira na medicina privada e ampliou sua formação com pós-graduação em Medicina do Trabalho.

A medicina o levou de volta ao futebol

Se a carreira de jogador não se concretizou, a medicina acabou aproximando Helder novamente do esporte que marcou sua infância.

O médico chefiou o Departamento Médico do Esporte Clube Noroeste e lembrou durante a solenidade que a experiência lhe permitiu viver, de outra maneira, parte daquele antigo sonho de estar próximo do futebol. Depois, também atuou junto ao Bauru Basquete e assumiu a Diretoria Médica do Bauru Tênis Clube (BTC).

A paixão pelo esporte não ficou restrita às equipes profissionais. Ao recordar sua trajetória, Helder fez questão de citar também a passagem pelo Ressaca, tradicional equipe do futebol amador bauruense.

Família no começo e no fim da história

A família, que abriu a retrospectiva feita por Helder, também apareceu no encerramento de sua fala, ao mencionar o orgulho que sente dos filhos e dos netos. “Espero que meus pais estejam orgulhosos, onde quer que estejam. Com tanta gente querida aqui, eu, pelo menos, estou muito orgulhoso”, declarou.

O Título de “Cidadão Bauruense” foi concedido a Helder Fernandes de Aguiar por meio do Decreto Legislativo n.º 2.465/2025, originado de projeto apresentado por Junior Lokadora e aprovado pelo Plenário da Câmara em 20 de julho

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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