Motociclistas reivindicam espaço adequado para o “grau” (“wheeling”) para tirá-lo da rua; projeto pretende reconhecer a manobra como prática esportiva
Na tarde desta quarta-feira (01/07), a Câmara de Bauru realizou uma Audiência Pública para discutir a criação do Dia Municipal do Motociclista e a conversão do Wheeling (mais conhecido como “grau”) em prática esportiva reconhecida no município.
A iniciativa do encontro foi do presidente da Casa, Markinho Souza (MDB), que também é autor de um projeto de lei, atualmente em trâmite legislativo, que trata do tema (processo n.º 151/2026).
Entenda
A realização de Audiências Públicas são obrigatórias no processo de inclusão de novas datas no Calendário Oficial de Eventos do Município. A proposta é que o Dia Municipal do Motociclista seja comemorado anualmente em seis de agosto, sendo incluído nas comemorações do aniversário da cidade.
Já o “grau” ou “wheeling” é atualmente reconhecido pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) como uma modalidade esportiva ou de competição que consiste na realização de manobras e acrobacias com motocicletas. Ele tem sido tema de leis de reconhecimento esportivo em diversos estados e municípios brasileiros.
O Projeto de Lei de iniciativa do vereador Markinho Souza traz não só o reconhecimento da modalidade, mas também regramentos para sua prática. Ele lista, por exemplo, requisitos mínimos de segurança, como uso de equipamento de proteção individual (como o capacete), utilização de motocicleta devidamente registrada e licenciada e condução do veículo por pessoa habilitada.
Além de proibir o “grau” nas vias públicas abertas à circulação de veículos, o projeto ainda prevê condições de infraestrutura e segurança que devem ser observadas nos locais destinados e autorizados para a prática da modalidade esportiva: pista ou área com pavimentação e dimensões compatíveis com a realização segura da atividade; área segregada e devidamente delimitada para acomodação do público espectador; e atendimento às normas técnicas e aos protocolos de segurança aplicáveis, podendo ser consideradas as recomendações da Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM).
O debate
Enquanto o vereador Markinho Souza presidiu a audiência, estiveram presentes o vereador Junior Lokadora (Podemos); o chefe de Gabinete da prefeita, Leonardo Marcari; o secretário de Esportes e Lazer, Leandro Ávila Rodrigues; a secretária de Comunicação e Eventos, Gabrielle Gabas; e Toni Zanotto, representando a secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação. Diversos motociclistas e praticantes de manobras com motocicletas, além de interessados no tema, também acompanharam e participaram do debate.
Logo no início, Markinho Souza defendeu a importância do Projeto de Lei relembrando a realidade de Bauru antes dos motociclistas se organizarem melhor para suas práticas esportivas. Ele contou que, anos atrás, aconteciam na cidade as “noturneiras”, rolês noturnos de motos que acabavam causando problemas de perturbação de sossego e de segurança, inclusive envolvendo polícia e acidentes.
Na ocasião, o parlamentar fez um movimento para se aproximar do grupo, entender o movimento e buscar modificar o que acontecia até então.
“A maior dificuldade é o acesso à informação. Nós abrimos a porta mostrando o caminho certo e eles fizeram tudo”, relatou sobre o início da parceria, que passou a clarear a noção dos motociclistas sobre a importância de eventos estruturados, com alvará, presença de ambulância e em locais adequados.
Há dois anos, os praticantes do “wheeling” e de outras manobras contam com um local temporário no Distrito Industrial II em que podem se reunir para a prática. O Moto Fest Bauru é um dos eventos que ocorrem lá a cada 45 dias.
Uma das organizadoras do Moto Fest, Vitória Queiroz (chamada de Vicky), defendeu o projeto de lei em debate, uma vez que pode trazer ainda mais segurança para a prática do “grau”. “Quando tivemos respaldo do poder público para realizar nossos eventos, as ‘noturneiras’ acabaram”, exemplificou.
O piloto de “wheeling” e “stunt” (outro tipo de manobra), Danilo Ordonis, também reconheceu a importância da iniciativa de Markinho Souza e, assim como diversos outros motociclistas presentes, reivindicou um espaço definitivo e adequado para a prática esportiva. Ele comentou que já chegou a participar de campeonatos, mas em outras cidades, uma vez que Bauru não conta com uma pista apropriada para a realização de competições.
Danilo também reforçou que a prática ainda é muito discriminada e, comparando seu momento atual com o que o skate viveu no passado – de marginalizado, se transformou em modalidade olímpica – vê a necessidade de buscar a legalização e tirá-la da rua.
“Quem pratica na rua acaba cometendo uma contravenção e colocando a si mesmo e outras pessoas em risco por falta de espaços e legislações adequadas. O ‘grau’ vai ter que sair da rua. Já avançamos bastante e vamos continuar”, reforçou Markinho Souza após as manifestações dos presentes.
Já sobre o Dia Municipal do Motociclista, participantes da audiência declararam ver a data como uma oportunidade não só de celebrar a categoria, mas também conscientizar a população de que esta é uma profissão séria, responsável por levar o sustento para muitas famílias.
Nesse sentido, o vereador Markinho Souza aproveitou para anunciar que o QG dos Motocas (ponto de apoio aos entregadores de aplicativo vinculado ao Instituto Markinho Souza) oferece agora apoio jurídico gratuito, a cada 15 dias, por meio de uma parceria com o escritório de advocacia Caminha & Cardoso.
Para finalizar o encontro, o secretariado presente se manifestou positivamente ao Projeto de Lei em debate, deixando as portas abertas para manter o diálogo com a categoria e ficando à disposição para oferecer ajuda nas suas demandas, como na busca por um local definitivo para a prática esportiva e no auxílio aos atletas e pilotos de manobras.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

