Na Tribuna: saúde, segurança e fiscalização de contratos pautam o Rol de Oradores
Os pronunciamentos do Rol de Oradores da Sessão Ordinária desta segunda-feira (20/07) foram marcados por debates sobre a crise na saúde pública, segurança, concessões de serviços públicos e fiscalização da administração municipal.
Confira o que disse cada parlamentar:
Natalino da Pousada (PDT) comentou sobre o furto de fios na Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila São Paulo. O crime ocorreu na madrugada da última sexta-feira (17/07), impedindo o atendimento à população no dia seguinte. Natalino criticou a ausência de vigilantes na unidade e também a atuação do Poder Executivo diante da situação. O parlamentar cobrou medidas para proteger os equipamentos públicos do município e afirmou que a Prefeitura não vem cumprindo sua responsabilidade de preservar esses espaços.
Soraya Gasparini (PL) falou sobre os dois projetos de lei que protocolou durante o período em que exerceu o mandato de vereadora, encerrado hoje (21/07). O primeiro institui a Política Municipal de Microchipagem, Identificação e Cadastro Animal em Bauru (Projeto nº 163/26). Ela defendeu a iniciativa que, se aprovada, deve ser executada gradativamente. O segundo projeto de lei institui o Cadastro Municipal de Protetores Independentes de Animais no Município de Bauru (Projeto nº 172/26), de forma a apoiar e reconhecer o trabalho desses voluntários. Soraya também abordou a superlotação do abrigo municipal. Ela defendeu que o serviço precisa ser ampliado, mas que abrigos “nunca foram a solução”, já que devem ser apenas um local de acolhimento temporário. Além disso, Soraya defendeu a necessidade de um serviço funerário público para animais. Ela explicou que o descarte irregular do corpo de animais mortos é um problema ambiental e de saúde pública.
Pastor Bira (Podemos) comentou a reunião da “CEI do Estacionamento Rotativo”, realizada na última quinta-feira (16/07), que ouviu o gerente de Infrações de Trânsito da Emdurb, Fausto Cezar Bertoldo Tigre, e o diretor de Trânsito e Transportes, Adilson Caldeira. Bira destacou a declaração de Fausto Tigre de que a contratação do novo sistema de estacionamento rotativo teve origem em pedidos da população e de vereadores pela ampliação da oferta de vagas. Diante da afirmação, a comissão solicitou documentos que comprovem esses pedidos. Em relação ao depoimento de Adilson Caldeira, o parlamentar chamou atenção para o que classificou como um “reconhecimento da incompetência” da Emdurb, ao afirmar que a contratação do novo sistema também foi motivada pela dificuldade da empresa em fiscalizar o estacionamento rotativo. Pastor Bira também abordou o caos na retaguarda hospitalar, que resulta em óbitos. Ele alertou que nova ação de cumprimento de sentença do Ministério Público busca o pagamento de multa em valor superior a R$ 4 milhões, contra o Governo do Estado, a Prefeitura de Bauru e a FAMESP, responsável pela gestão do Hospital Estadual, Hospital de Base, entre outras unidades hospitalares.
Miltinho Sardin (PSD) defendeu a instalação de um sistema de semáforo no cruzamento entre as ruas Araújo Leite e Quinze de Novembro. O vereador afirmou que a sinalização é “extremamente necessária” e que essa é uma reivindicação antiga de seu gabinete.
Junior Lokadora (Podemos) exibiu um vídeo do Mercado Novo, em Belo Horizonte (MG) – um prédio histórico que foi revitalizado e transformado em um polo de cultura, gastronomia e economia criativa: “Enquanto algumas cidades transformam prédios abandonados em espaços que geram emprego, renda e desenvolvimento, Bauru continua deixando seu patrimônio se acabar”, lamentou. O vereador também abordou o cenário de saúde do município, voltando a citar os pacientes em situação de alta social que ocupam vagas de internação, para as quais a fila está em 52 pessoas na tarde desta terça-feira (21/07). Lokadora afirmou que, embora o problema seja antigo, nada foi feito até o momento. Ele também falou sobre o furto de fiação na USF da Vila São Paulo, lembrando que o problema se estende a outras unidades de saúde e escolas, que não contam com vigilância patrimonial nem videomonitoramento. “Porque não se investe onde realmente tem que investir?”, questionou.
Estela Almagro (PT) voltou a apontar problemas decorrentes da gestão terceirizada da UPA do Mary Dota. A parlamentar destacou que o Município abriu novo processo de chamamento público para essa finalidade, considerando que o contrato com a Avante Social se encerra no mês de julho. A vereadora externou dúvidas acerca dos atendimentos na unidade, no intervalo de tempo até a nova contratação ser concluída. Estela também questionou o repasse de recursos à Avante para custear obras na UPA que ainda não foram concluídas. Nesta terça-feira (21/07), a Prefeitura de Bauru informou que prorrogou o contrato com a organização até o final do ano. Estela também fez críticas à falta de transparência do processo licitatório para os serviços de videomonitoramento e vigilância patrimonial de prédio públicos. Segundo a vereadora, o valor estimado da contratação permanece sob sigilo. A parlamentar afirmou que as Secretarias de Educação e de Saúde, que seriam as maiores beneficiadas pelos serviços, não tiveram acesso ao edital da licitação previamente. Por fim, a vereadora informou sobre uma reunião marcada para o dia 23 de julho e organizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (Sincomércio), Câmara de Dirigentes Lojistas de Bauru (CDL) e Associação Comercial e Industrial de Bauru (ACIB), que irá debater segurança, planejamento e assistência social no centro da cidade
José Roberto Segalla (União Brasil) manifestou preocupação com a falta de clareza nos documentos sobre a Parceria Público Privada (PPP) para a reforma do prédio da antiga Estação Ferroviária. O vereador também criticou o prazo que a Câmara tem para analisar propostas de grande complexidade antes da votação. Como exemplo, citou os projetos de concessão dos serviços de esgoto e de manejo de resíduos sólidos. Segundo Segalla, todas essas matérias são de extrema importância para o futuro da cidade, porém os parlamentares não contam com prazo necessário para ponderar sobre os projetos antes de se posicionarem. O parlamentar também reforçou o convite feito pela vereadora Estela Almagro para a reunião que vai debater o problema de falta de segurança no Centro: “A situação está insustentável, impossível”.
Julio Cesar (PP) criticou a contratação de parquímetros no novo sistema de operação do estacionamento rotativo. Segundo o vereador, o equipamento é ineficiente e pouco utilizado pelos motoristas, apesar do investimento de R$ 5 milhões em instalação e manutenção. Ao abordar a causa animal, Julio Cesar denunciou a demora de atendimento público em caso de maus-tratos. Em uma ocorrência no bairro Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, a equipe veterinária do município chegou duas horas após o acionamento. O parlamentar cobrou melhorias nas condições do local por parte da Prefeitura e da Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal “Não dá para aceitar do jeito que está”, afirmou.
Eduardo Borgo (Novo) voltou a cobrar providências em relação às mortes de pacientes que aguardavam vagas para atendimento na rede pública de saúde. O vereador relembrou as denúncias encaminhadas ao Ministério Público (MP), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Civil, além da Audiência Pública promovida pela Câmara e da Moção de Apelo aprovada pelo Legislativo solicitando a atuação do procurador-geral de Justiça. Segundo Borgo, após o arquivamento de um pedido de cumprimento de sentença condenatória, o Ministério Público retomou a medida em 4 de março de 2026, por iniciativa do promotor de Justiça Enilson Komono. A ação tem como réus condenados o Governo do Estado, a Prefeitura de Bauru e a FAMESP. O parlamentar também informou que o Ministério Público instaurou procedimento administrativo para apurar mortes de pacientes com base nos trabalhos de uma comissão da Universidade de São Paulo (USP) criada para analisar o tema. Borgo colocou seu mandato à disposição do MP e da comissão e afirmou que solicitará uma reunião para contribuir com informações e sugestões, diante das dificuldades relatadas para obtenção de dados necessários às investigações.
Mané Losila (MDB) avaliou os resultados da Reunião Pública realizada pela Comissão de Obras, Serviços Públicos, Habitação e Transportes na terça-feira (14/07). O encontro debateu o andamento da concessão dos serviços públicos de coleta, transporte, tratamento e disposição do esgoto gerado no município. O vereador avaliou que a reunião foi “prejudicada” porque não foram obtidas novas informações do Consórcio Saneamento Bauru e do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Por isso, informou que a comissão já marcou uma nova rodada de discussões para o dia 29 de setembro, depois da assinatura da Ordem de Serviço, no dia 1º de agosto. O parlamentar também alertou para o aumento das queimadas durante o período de estiagem e pediu que a população denuncie casos de incêndios provocados de forma intencional.
Marcelo Afonso (PSD) voltou a cobrar ações para reforçar a segurança pública em Bauru ao citar três casos de furto de fiação registrados na última semana. O vereador lembrou a Lei Municipal n.º 7.925, de sua autoria, que determina a instalação de sistema de videomonitoramento em escolas e unidades de saúde do município. Apesar de a lei estar em vigor desde novembro de 2025, os prédios públicos ainda não contam com o sistema previsto na legislação. O parlamentar afirmou que o problema também exige atuação da Assistência Social, já que, segundo ele, a maioria dos furtos é praticada por usuários de drogas e pessoas em situação de rua. “Só com repressão não resolve, temos que ter acolhimento”, disse, ao defender que o município invista tanto no reforço da vigilância quanto em políticas públicas voltadas à recuperação dessas pessoas.
Márcio Teixeira (PL) também falou sobre a concessão dos resíduos sólidos urbanos, ou “concessão do lixo”. O projeto consiste na adoção de uma Parceria Público-Privada (PPP) para manejo do lixo e limpeza pública em Bauru, e foi aprovado pela maioria dos vereadores em dezembro de 2025. O vereador afirmou que leu as 197 páginas do projeto e que está se debruçando no estudo dos gastos públicos. Ele explicou que as despesas da Prefeitura podem ultrapassar o montante dos R$ 5 bilhões durante os 35 anos de serviço previstos no contrato.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


