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Projeto de recuperação do Sambódromo é concluído e exige R$ 17 milhões em investimentos

O projeto executivo para recuperação do Sambódromo Municipal “Guilberto Duarte Carrijo” está pronto para ser licitado, mas a execução das obras ainda depende da garantia de recursos. O detalhamento das soluções de engenharia foi apresentado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura durante Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal, na tarde desta quarta-feira (22/07), por iniciativa da vereadora Estela Almagro (PT).

Além de apontar as intervenções necessárias para resolver os problemas estruturais que interditaram o espaço em março de 2019, a reunião também discutiu possíveis adequações arquitetônicas para atender às necessidades das escolas de samba, além de formas de integrar o equipamento cultural ao futuro Parque da Água Comprida, ampliando as possibilidades de busca por financiamento. Assista aqui

Projeto prevê duas frentes de obras e investimento de R$ 17 milhões

Ao abrir a audiência, Estela Almagro relembrou o acompanhamento realizado por seu mandato sobre o tema e reafirmou sua defesa da recuperação do equipamento. A parlamentar voltou a manifestar posição contrária a discussões em torno da desativação do espaço ou de destinação da área para empreendimentos habitacionais.

Na sequência, a secretária municipal de Infraestrutura, Pérola Zanotto, informou que os projetos executivos já foram concluídos e avalizados pela pasta.

Gerente de Infraestrutura Pública, Fernanda Fabri explicou que a proposta concentra-se na solução dos problemas de drenagem do Núcleo Geisel, apontados como a principal causa das patologias estruturais que levaram à interdição do Sambódromo, e na estabilização do talude existente no local.

As intervenções foram divididas em duas frentes, que poderão ser executadas simultaneamente ou contratadas separadamente. A estabilização do talude está orçada em aproximadamente R$ 4 milhões, enquanto as obras de drenagem e recuperação do pavimento somam cerca de R$ 13 milhões, totalizando investimento estimado em R$ 17 milhões. O prazo previsto para execução é de 15 meses.

Questionado sobre a viabilidade financeira da obra, o secretário municipal da Fazenda, Everson Demarchi, afirmou que o investimento não está previsto no Plano Plurianual (PPA) nem na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo exercício. Segundo ele, a execução por recursos próprios exigiria a revisão das prioridades orçamentárias do município. O cenário mais adequado, ainda na avaliação do secretário, passa pela obtenção de recursos estaduais e federais.

Setor cultural defende adequações arquitetônicas

Embora tenha considerado o projeto fundamental para resolver os problemas estruturais do local, o representante do setor cultural Paulo Maia defendeu que a recuperação seja acompanhada por uma discussão sobre adaptações arquitetônicas que atendam às demandas atuais das escolas de samba.

Entre as sugestões apresentadas estão a revisão de aspectos operacionais do desfile, como áreas de concentração e recuo de bateria, além da implantação de barracões permanentes para armazenamento de alegorias e desenvolvimento dos trabalhos das agremiações.

Fernanda Fabri explicou que essas alterações não fazem parte do projeto atualmente concluído, que se restringe às obras de drenagem e estabilização do talude. Segundo ela, eventuais adequações relacionadas ao uso do Sambódromo poderão ser desenvolvidas posteriormente.

O secretário municipal de Cultura, Roger Barude, manifestou apoio às propostas apresentadas pelo setor carnavalesco e afirmou que a criação de uma estrutura permanente para as escolas de samba, nos moldes de uma “Cidade do Samba”, permanece como objetivo da administração cultural. Também defendeu a busca de parcerias público-privadas para viabilizar novos investimentos no complexo.

Este último ponto já havia sido colocado em pauta pela vereadora Estela, que defende o modelo em áreas que não são enquadradas como serviços essenciais e são capazes de atrair o interesse de empresas, mencionando como exemplos o carnaval e o futebol amador.

Debate amplia discussão para o entorno e futuro Parque da Água Comprida

Outro encaminhamento defendido durante a audiência foi a ampliação do debate para além da recuperação estrutural do Sambódromo. Assista ao boletim com entrevista da parlamentar para a TV e Rádio Câmara Bauru

Estela Almagro propôs que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal passe a integrar as discussões para elaborar um projeto voltado ao futuro Parque da Água Comprida, previsto para a área vizinha ao equipamento.

Segundo a vereadora, a articulação entre cultura, recuperação ambiental e geração de renda pode fortalecer a busca por recursos federais e por parcerias com a iniciativa privada.

A parlamentar também sugeriu que o projeto executivo seja apresentado em reunião aberta, no período noturno, com representantes das escolas de samba, blocos carnavalescos e conselhos municipais interessados na pauta, permitindo que a comunidade contribua com propostas para futuras melhorias do complexo.

O secretário municipal adjunto de Governo, Elton Gobbi, classificou a iniciativa como positiva.

Representantes do setor carnavalesco defenderam ainda que a recuperação do Sambódromo seja acompanhada de uma estratégia para ampliar seu uso ao longo do ano, permitindo a realização de eventos culturais, esportivos e de entretenimento. Segundo eles, além de fortalecer a cultura popular, a ocupação permanente do espaço amplia seu potencial de geração de emprego, renda e movimentação econômica para o município.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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