Na tribuna: vereadores apontam problemas em serviços da Companhia de Saneamento de Bauru (CSB) e repercutem desdobramentos da Operação Cavalo de Troia
Problemas no atendimento aos consumidores e reclamações sobre os serviços da Companhia de Saneamento de Bauru (CSB) estiveram entre os temas mais recorrentes no Rol de Oradores da Sessão Ordinária desta segunda-feira (21/09). Os vereadores também comentaram desdobramentos da Operação Cavalo de Troia e da Comissão Processante instaurada contra a prefeita Suéllen Rosim (PSD), além de abordarem temas como saúde, zeladoria urbana e infraestrutura.
Confira os destaques do pronunciamento de cada parlamentar:
Cabo Helinho (PL) denunciou falhas no atendimento da Companhia Saneamento de Bauru (CSB) ao consumidor. O vereador pontuou que seu gabinete tem recebido diversas reclamações sobre problemas no telefone oficial de contato da concessionária – 0800 014 2026. Enquanto estava na tribuna, tentou, sem sucesso, ligar para o número divulgado. O parlamentar avaliou que a situação demonstra ineficiência no atendimento e fere direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. No âmbito da concessão do esgoto, o consórcio privado assumiu outras atribuições antes delegadas ao DAE, como a leitura de consumo e cobrança da tarifa de água. Cabo Helinho também parabenizou a atividade policial recente na cidade. De acordo com o parlamentar, foram efetuadas 21 prisões na última semana, das quais seis foram resultado do Programa Muralha Paulista.
José Roberto Segalla (União Brasil) repercutiu uma reunião de servidores do DAE sobre a transferência de serviços para a CSB. Em uma gravação do encontro, que foi tornada pública, o presidente da autarquia, João Viegas, fala sobre limitações para a tomada de decisões. Entre outras afirmações, o gestor diz, no áudio, que é “presidente de fachada”. Segalla considerou graves as afirmações e argumentou que somente a chefe do Poder Executivo Municipal deveria estar acima do presidente do DAE. O vereador avaliou que a Câmara deve se debruçar sobre o caso. A respeito da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo, Segalla chamou a atenção para o fato de a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ter sido contratada para atuar em projetos estratégicos para a cidade. Um dos consultores da instituição, Mário Silvério, teve a prisão decretada no âmbito da operação e é considerado foragido. Entre os trabalhos contratados junto à Fipe, o parlamentar citou a revisão do Plano Diretor Participativo e da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, além das concessões do esgoto e dos resíduos sólidos – esta última, alvo das investigações.
Julio Cesar (PP) também abordou as reclamações de munícipes sobre os serviços da CSB. O vereador contou que esteve na sede da concessionária para conversar com o diretor operacional, Renato Carlini Camargo, a fim de transmitir os relatos que tem recebido. O parlamentar também repercutiu casos de retorno de esgoto para o interior de residências e cobrou agilidade na solução dos problemas. “Tem que acelerar as coisas porque a população está sofrendo com isso”, afirmou. Já no âmbito da causa animal, Julio Cesar comentou a nomeação de Jurandir Posca como secretário de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal e pediu atenção do gestor às demandas e à atuação da Coordenadoria de Políticas Públicas para o Bem-Estar Animal. O vereador defendeu que o prédio da coordenadoria, que já passa por reformas, seja transformado em um ponto de atendimento veterinário gratuito.
Eduardo Borgo (Novo) informou que, na condição de denunciante, protocolou junto à Comissão Processante (CP) instaurada na Câmara Municipal contra a prefeita Suéllen Rosim, um pedido de compartilhamento de provas do procedimento investigatório criminal relacionado à Operação Cavalo de Troia. O vereador também repercutiu a reclamação constitucional apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa de Hamilton Agle, dono da Estre, que pede a transferência do processo para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), sob o argumento de possível envolvimento da prefeita Suéllen Rosim nas investigações e da prerrogativa de foro da chefe do Executivo. Borgo afirmou que, caso o pedido seja acolhido, solicitará ao Procurador-Geral de Justiça o afastamento cautelar da prefeita. Outro assunto abordado foi o áudio no qual o presidente do DAE, João Viegas, durante reunião com servidores impactados pela transferência de serviços para a CSB, afirma ter limitações em seu poder de decisão dentro da autarquia. “Quem está por trás do presidente do DAE?”, questionou Borgo. O vereador relacionou a situação à concessão do esgoto, mencionando a atuação da Fipe na modelagem da concessão do esgoto, frisando que, à época, votou contra a proposta do governo Suéllen.
Mané Losila (MDB) defendeu a intensificação das operações tapa-buraco na cidade, principalmente durante o período de chuvas. O vereador reconheceu que o recapeamento completo de bairros, por exemplo, requer grande investimento, mas afirmou que o serviço de tapa-buraco “não pode deixar de acontecer”. Já ao falar sobre a CSB, o parlamentar repercutiu reclamações relacionadas ao vazamento de esgoto em vias públicas, com destaque para o caso da Vila Zilo, onde, segundo ele, há problemas provocados por encanamentos quebrados. Assim como Julio Cesar, Mané Losila afirmou manter contato com o diretor operacional da concessionária com o intuito de buscar soluções para os problemas relatados pelos munícipes. O parlamentar ainda falou sobre a Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública, que classificou como uma “concessão que deu certo”. Segundo Losila, a Luz de Bauru S/A possui o mapeamento da iluminação da cidade, mas nem sempre recebe autorização do Executivo para realizar as manutenções necessárias.
Marcelo Afonso (PSD) foi outro vereador que repercutiu reclamações sobre os serviços da CSB. Além de exibir vídeos de vazamentos de esgoto em diferentes pontos da cidade, o parlamentar mostrou as dificuldades encontradas por seu gabinete para solicitar serviços por meio do site da companhia. Marcelo cobrou melhor comunicação da CSB com a população e com os vereadores. Também defendeu que servidores de carreira e com experiência no DAE sejam ouvidos pelo consórcio. “Enquanto a companhia não enxergar isso, o problema vai persistir”, afirmou.
Márcio Teixeira (PL) observou que a Prefeitura de Bauru mantém contratações de valores milionários com a Estre Ambiental para serviços na área de resíduos sólidos, como o transbordo e o aterramento do lixo domiciliar. O vereador afirmou que recorrerá ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) para pedir que essas contratações sejam apuradas. O parlamentar também celebrou o Dia da Árvore (21 de setembro) e destacou a atuação do projeto Viva Batalha, do qual faz parte. Segundo Márcio, a iniciativa já plantou mais de 18 mil árvores nas proximidades do Rio Batalha desde sua criação, em 2021.
Miltinho Sardin (PSD), na condição de presidente da Comissão Processante instaurada para apurar possíveis infrações político-administrativas atribuídas à prefeita Suéllen Rosim, informou que defende o deferimento do pedido apresentado pelo vereador Eduardo Borgo para o compartilhamento de provas das investigações do Gaeco. “O que tem que ser apurado será apurado”, afirmou. Miltinho também cobrou a execução de obras e serviços previstos a partir da contratação de linha de crédito com o Desenvolve SP. Segundo o vereador, obras como o recapeamento de ruas do Jardim Araruna e do Pousada da Esperança II e a implantação de canaletas ainda não foram realizadas, apesar de constarem no cronograma da Prefeitura. Outra cobrança do parlamentar foi a abertura de uma terceira faixa na Avenida Comendador José da Silva Martha, onde, segundo ele, o tráfego de veículos é intenso.
Natalino da Pousada (PDT) pautou a saúde pública do Município. O vereador denunciou a falta de fitas para medição de glicemia nas unidades de saúde da cidade e relatou o caso de uma paciente que, segundo ele, aguarda há mais de um ano por uma cirurgia de hérnia. O parlamentar declarou que “a saúde pública está na UTI” e ressaltou que o atendimento é direito de todos e dever do Estado. Natalino também convidou os demais parlamentares e a população a participarem das Audiências Públicas de prestação de contas da Administração Municipal, referentes ao segundo quadrimestre de 2026 (maio a agosto). As reuniões estão marcadas para as 14h dos dias 23, 24 e 25 de setembro, no Plenário da Câmara.
Pastor Bira (Podemos) criticou o que considera uma concentração dos debates da Câmara em determinados assuntos, enquanto outras demandas importantes da cidade estariam recebendo menos atenção. O vereador também retomou as críticas que recebeu por defender cautela nas discussões sobre a revisão do Plano Diretor, diante de cobranças para que o processo avançasse mais rapidamente. Para Bira, os fatos revelados posteriormente pelas investigações sobre a concessão dos resíduos sólidos reforçam a importância desse cuidado, já que a Fipe, contratada pelo Município para atuar na revisão da legislação urbanística, também participou da modelagem da concessão do lixo. Bira apontou ainda pendências no planejamento do Município, citando o cronograma de operações tapa-buraco e de implantação de canaletas. Também denunciou condições precárias de trabalho em equipamentos municipais, entre eles a usina de asfalto. Na sequência, leu manchetes de 2013 do Jornal da Cidade de Bauru para argumentar que problemas registrados na cidade há mais de uma década continuam presentes atualmente.
Junior Lokadora (Podemos) foi mais um parlamentar que afirmou receber inúmeras reclamações de munícipes sobre a atividade da CSB: “Como pode a população ser tratada dessa forma?”, indagou, ao comentar os problemas de comunicação entre concessionária e consumidores. Lokadora também trouxe um relato pessoal quanto ao funcionamento da saúde pública de Bauru. O vereador contou que seu filho, após sofrer um acidente de moto, passou três dias aguardando vaga de internação dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e permanece no Hospital de Base aguardando cirurgia: “É o que a população sofre”, afirmou.
Edson Miguel (Republicanos) chamou a atenção para a situação de ruas ainda sem pavimentação, problema que, segundo o vereador, se agrava durante os períodos de chuva. Ele citou Chácaras Cornélia, Núcleo Habitacional Leão XIII, Jardim Flórida, Pousada da Esperança II e Jardim Marambá entre os bairros que necessitam de investimentos e pediu às secretarias responsáveis que articulem a execução das obras. “São cidadãos que estão vivendo momentos muito difíceis em seus bairros”, afirmou. O vereador também pediu atenção da Administração Municipal para as condições das estradas rurais do município.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


