Na Tribuna: concessões, segurança e novo organograma pautam discursos dos vereadores
Segurança pública, concessões de serviços municipais e a proposta de reorganização administrativa da Prefeitura estiveram entre os principais assuntos levados à tribuna da Câmara Municipal nesta segunda-feira (10/08), durante a 28ª Sessão Ordinária de 2026. Ao todo, 12 vereadores utilizaram o Rol de Oradores para repercutir desafios da cidade, apresentar cobranças ao Poder Executivo e tratar de projetos e medidas em discussão no município. Confira o que abordou cada parlamentar:
Márcio Teixeira (PL) destacou a realização da 1ª Conferência Paulista das Cooperativas e Associações de Catadores, durante os dias 7 e 8 de agosto. O evento foi promovido pela Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (ASCAM). O vereador, entretanto, fez críticas à participação da secretária Cilene Chabuh Bordezan no evento. Titular da pasta de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Cilene defendeu a concessão dos serviços de resíduos sólidos e limpeza urbana. Segundo Márcio, a secretária também teria criticado os vereadores que se posicionaram contra a medida, que prevê a cobrança da chamada “tarifa do lixo. O parlamentar repudiou as colocações de Cilene e se posicionou contra a licitação, a qual chamou de “desastrosa”. Teixeira anunciou ainda que está se dedicando a demonstrar falhas no edital a órgãos de fiscalização competentes.
Markinho Souza (MDB) defendeu a criação de um cadastro único regional da população em situação de rua. De acordo com levantamento mencionado pelo vereador, 40% dessas pessoas em Bauru estão “de passagem” pela cidade. “É necessário entendermos quem são (…), de quais cidades estão vindo e como o município, em parceria com os demais municípios, pode ajudar essas pessoas”, declarou. Segundo Markinho, o aumento da população em situação de rua também estaria relacionado ao crescimento dos casos de furto na cidade, situação que o parlamentar associou, em parte, ao uso abusivo de drogas. Nesse sentido, o presidente da Câmara Municipal também falou sobre o Projeto de Lei nº 68/26 (processo n° 198/2026), que entrou em tramitação na Casa e altera pontos da Lei Municipal 7729/2023. A legislação em questão regulamenta o funcionamento de ferros-velhos na cidade, com o intuito de coibir a receptação. O parlamentar explicou que as mudanças, encaminhadas pelo Poder Executivo e construídas em diálogo com a Polícia Militar e a Polícia Civil, tornam as regras mais rígidas e são uma tentativa de minimizar os casos de furto.
Miltinho Sardin (PSD) celebrou a inauguração de duas novas “ruas acalmadas” na cidade. A medida foi implementada em cruzamentos da Olavo Bilac com as ruas Francisco Alves e Primeiro de Maio, regiões com alta incidência de acidentes no Jardim Bela Vista. O vereador também pontuou que a eficácia da estratégia tem ganhado destaque na imprensa local e apoiada por outros parlamentares. Ao final de seu discurso, parabenizou o Pastor Kleuber Leal pela organização da Festa de Inverno da Terceira Igreja Presbiteriana Independente de Bauru.
Natalino da Pousada (PDT) também participou da 1ª Conferência Paulista das Cooperativas e Associações de Catadores. Ele defendeu que a reciclagem deve ser mais debatida e difundida na sociedade. O vereador fez críticas à condução da segurança pública da cidade, abordando os casos de vandalismo e os episódios de vandalismo e furtos registrados durante três dias consecutivos na EMEF José Romão, no Jardim Nova Bauru. “Quem governa o Município tem a responsabilidade de dar uma resposta”, afirmou, citando também as filas de espera na área da saúde.
Pastor Bira (Podemos) falou sobre segurança pública. O vereador chamou atenção para o caso dos Sítios Reunidos de Santa Maria, cujos moradores já enviaram várias solicitações de ajuda ao seu gabinete. O parlamentar reforçou a importância da criação de um Fundo Municipal de Segurança Pública, uma vez que, apesar do “hercúleo” trabalho da Polícia Militar, o município sofre com “problemas crônicos” no combate ao crime. Pastor Bira também repercutiu problemas, já resolvidos, no agendamento de consultas e exames na UBS do Octávio Rasi após as quedas de raios registradas na última semana. O vereador denunciou ainda que a unidade permanece usando um sistema de software obsoleto, que está atrapalhando o funcionamento do novo modelo. De acordo com ele, ambos os programas estão sendo pagos de maneira simultânea. Por fim, parabenizou os organizadores do 1° Encontro de Cameratas de Bauru, realizado no Teatro Municipal de Bauru e organizado pelas Cameratas Allegro, SESI Bauru e pela Orquestra Sinfônica Jovem de Lins.
Junior Rodrigues (PSD) trouxe atualizações sobre cobranças da área da saúde que fez recentemente na tribuna. Primeiro, falou sobre o anúncio de que o plano de saúde Hapvida deixaria de oferecer, por meio de uma clínica conveniada, o tratamento de hemodiálise a partir de novembro, o que afetaria cerca de 40 pacientes de Bauru. Após a denúncia feita na semana passada, Junior foi comunicado de que a parceria não será mais interrompida. Ele agradeceu o apoio das famílias e afirmou que continuará fiscalizando a empresa, contratada pela Prefeitura para oferecer o plano de saúde dos servidores municipais. Outro assunto abordado foi a diminuição da oferta de exames laboratoriais nas UBSs, denunciada pelo vereador há duas semanas. Segundo Junior, a restrição durou cerca de 30 dias e a situação foi normalizada há quatro. Por meio de um requerimento de informação com base no artigo 18 da Lei Orgânica do Município, Junior solicitou à Administração Municipal informações sobre possíveis prejuízos aos pacientes que não puderam realizar exames. “A Secretaria de Saúde tem que correr para corrigir esse erro”, defendeu.
Sandro Bussola (MDB) mostrou-se favorável à aprovação da nova Organização Administrativa da Prefeitura. O projeto do Poder Executivo estava na pauta da Sessão Ordinária, mas foi retirado para que as 11 emendas apresentadas por vereadores sejam analisadas pela Procuradoria Jurídica da Câmara, a pedido da Comissão de Justiça, Legislação e Redação. Bussola afirmou que “o servidor de carreira clama por essa aprovação” e que o projeto é importante para que “todos os setores caminhem de forma correta”. Além disso, o parlamentar defendeu a secretária municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Cilene Bordezan, anteriormente criticada por Márcio Teixeira (PL). Sandro declarou que a pasta “não fez os investimentos necessários” no passado, mas que hoje tem desenvolvido um bom trabalho.
Casemiro Neto (PSD) agradeceu a recepção dos vereadores e demais pessoas que estiveram presentes na solenidade de posse, realizada antes da Sessão Ordinária. “É uma honra e um prazer fazer parte da Câmara de Vereadores”, disse, enaltecendo o potencial da Casa em fazer o bem pela cidade. Ele destacou a sua trajetória de mais de 10 anos no Conselho Tutelar de Bauru e sua atuação em comunidades vulneráveis, onde percebeu a importância de que políticas públicas cheguem à população que mais precisa. Casemiro se colocou à disposição das demandas da sociedade e dos demais parlamentares ao longo das próximas três semanas. Primeiro suplente do PSD nas eleições de 2024, ele assumiu o mandato em razão da licença temporária de Dário Dudário.
Junior Lokadora (Podemos) fez críticas à concessão do esgoto. Após a assinatura da Ordem de Serviço no dia 3 de agosto, a Companhia Saneamento Bauru (CBS) assumiu a responsabilidade de parte dos serviços antes atribuídos ao DAE. O vereador relatou ter recebido vídeos de vazamentos de esgoto e denúncias de falta de manutenção em fossas sépticas. O parlamentar relembrou que a proposta de um plebiscito, articulada por seu gabinete na Legislatura anterior, não deu entrada na Câmara por conta de uma assinatura faltante. Nesse sentido, afirmou que busca organizar uma nova proposta de plebiscito para evitar que a captação, o tratamento e a distribuição de água, que ainda são de incumbência da autarquia municipal, também passem para a iniciativa privada sem o consentimento da população: “O povo tem o direito de escolher”, argumentou.
Estela Almagro (PT) criticou pontos da fala de Sandro Bussola (MDB), que defendeu a votação da nova Organização Administrativa da Prefeitura na Sessão Ordinária. Ela afirmou que não houve reuniões com vereadores, sindicatos ou audiências públicas para discutir o projeto do novo organograma, em contraposição à afirmação do líder do governo de que o projeto vem sendo debatido há um ano. A vereadora enfatizou que as “inconstitucionalidades e ilegalidades” do organograma vigente, apontadas pelo Ministério Público, persistem no novo organograma proposto. Estela lembrou que foi o líder da prefeita Suéllen Rosim que pediu o sobrestamento do projeto há duas semanas “porque não conseguiram convencer nem a própria base”. A parlamentar também abordou a concessão do esgoto, demonstrando preocupação com a condução dos trabalhos pela CBS. Segundo Estela, há indícios de que a concessionária esteja utilizando recursos que não integram o escopo do contrato. “Estão levando a água sem pagar um único centavo de outorga, porque está indo de bagatela”, denunciou.
José Roberto Segalla (União Brasil) trouxe novas denúncias de furtos de fios elétricos à tribuna. O vereador expôs vídeos de câmeras de segurança que mostram algumas dessas situações, bem como exibiu imagens de fiações cortadas e penduradas nos postes. Segalla também denunciou o que classificou como um ponto de compra e venda de objetos furtados no Bosque Linear Futuro, no Jardim Estoril. Assim, pediu à Prefeitura ações para conter a invasão do comércio clandestino na região e o fortalecimento da regulamentação dos ferros-velhos.
Marcelo Afonso (PSD) destacou o Projeto de Lei de sua autoria que deu entrada na Casa na 28ª Sessão Ordinária (Processo n° 195/2026). O texto altera a Lei Municipal 7181/2019, conhecida como “Lei das Calçadas”. Segundo o vereador, a mudança é necessária para corrigir uma inconsistência na legislação atual, que permite a utilização dos passeios públicos por bares e restaurantes, mas não estende a mesma possibilidade a hortifrutigranjeiros, floriculturas, minimercados e outros estabelecimentos. Outro ponto abordado pelo vereador foi a situação das duas primeiras quadras do Calçadão da Batista de Carvalho, que se encontram com muitas lojas fechadas. Marcelo defendeu a reabertura das quadras para o tráfego de veículos, o que retomaria o fluxo de pessoas na região. O vereador também defendeu que a Prefeitura desaproprie imóveis inutilizados da região para posterior revenda pelo valor venal.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


