Na tribuna: Nova fase da Operação Cavalo de Troia e concessões concentram debates da semana
Os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia e as discussões em torno das concessões dos serviços de lixo e esgoto estiveram entre os principais assuntos levados à tribuna durante o Rol de Oradores da 38ª Sessão Ordinária, realizada nesta segunda-feira (19/10). Os vereadores também trataram da cobrança destinada ao tratamento de esgoto, da situação dos servidores do DAE, da ampliação do Conselho Tutelar e de demandas relacionadas ao transporte coletivo, manutenção urbana e infraestrutura.
Cabo Helinho (PL) repercutiu a prisão do ex-secretário de Governo, Renato Purini, na última sexta-feira (16/10), em mais uma fase da Operação Cavalo de Troia, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). O vereador classificou a corrupção como “uma das piores formas de ataque” à população. Na sequência, Helinho falou sobre ruas esburacadas e demais problemas em vias públicas do município. Ele deu o exemplo de um buraco no cruzamento das ruas José Chaves de França e Alfredo Rodrigues de Souza, ponto para o qual solicita manutenção desde março, mas ainda não foi atendido. Helinho também falou sobre a via rural do Rastro do Cowboy, que sofre de alagamentos frequentes e impede o trânsito de moradores do local. Por fim, o parlamentar destacou que o bairro Águas Virtuosas “também está nessa penúria, aguardando promessas de mais de 2 anos atrás”.
Junior Lokadora (Podemos) denunciou o atraso na entrega de leite a famílias em situação de vulnerabilidade social. O vereador relatou que munícipes já cadastrados junto ao Município aguardam há mais de um mês pelo alimento distribuído por meio do Programa Viva Leite. A partir do caso, criticou o que considera falta de iniciativa da Prefeitura e afirmou que o próprio governo “planta dificuldade”, enquanto há pessoas “colocando dinheiro no bolso” e cidadãos dependem do apoio e dos serviços públicos. Lokadora também citou a onda de furtos em escolas e a falta de leitos hospitalares como problemas que, segundo ele, precisam ser enfrentados pelo Executivo, além de afirmar que faltam projetos aprovados que “de fato ajudem a população”. Por fim, reiterou sua posição contrária às concessões do lixo e do esgoto e destacou a importância do plebiscito sobre uma eventual concessão da água. “Quem vai pagar a conta é o povo”, argumentou.
Estela Almagro (PT) fez uma reflexão sobre o papel da Câmara diante da crise política enfrentada pelo município e defendeu que relações pessoais não podem interferir na atuação parlamentar nem na preservação do interesse público. A vereadora afirmou conhecer pessoalmente Hamilton Agle, da Estre, e o ex-secretário de Governo Renato Purini, ambos presos pela Operação Cavalo de Troia, e criticou o que classificou como tentativa de algumas figuras políticas de negar vínculos quando surgem problemas. Para sustentar sua posição, exibiu um vídeo de uma sessão anterior em que questionava a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, sobre a relação da pasta com o Instituto Estre, além de outro registro de um embate com Purini sobre a tramitação da concessão do esgoto. Estela disse que a Câmara tem responsabilidade política sobre decisões tomadas nos processos das concessões e repudiou o que considera ações de interferência do Executivo sobre o Legislativo. Também mencionou conversas atribuídas ao ex-secretário nas quais teria sido citado suposto pagamento para que se ausentasse da votação da concessão do esgoto, hipótese que rejeitou, afirmando que só deixa sessões por motivo de saúde ou compromisso político mais relevante. Ao final, defendeu que, diante da crise, vereadores e demais atores públicos concentrem esforços em temas como saúde, educação, infraestrutura e no futuro da cidade.
José Roberto Segalla (União Brasil) falou sobre o Projeto de Lei que deu entrada na Câmara durante a 38ª Sessão Ordinária (Processo nº 244/2026), que propõe extinguir a cobrança mensal destinada ao tratamento de esgoto, instituída pela Lei Municipal nº 5.357, de 28 de abril de 2006. A mesma legislação criou o Fundo Municipal de Tratamento de Esgoto, para onde são destinados os valores arrecadados com a taxa incluída na conta de água. Segalla explicou que o fundo não será extinto, já que também recebe recursos de outras fontes. Segundo o parlamentar, o saldo acumulado ultrapassa R$ 300 milhões e os rendimentos gerados pelo montante já superam a arrecadação mensal obtida com a cobrança. “O que nós já pagamos é mais do que suficiente para pagar a Estação de Tratamento de Esgoto”, afirmou, defendendo que a taxa “não tem mais cabimento”. O vereador também comentou os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia e criticou a prefeita Suéllen Rosim, que esteve na Câmara na última sexta-feira (16/10) para prestar depoimento à Comissão Processante (CP) do Lixo. “Tivemos que assistir que ela não administra a cidade, que ela não acompanha o que acontece aqui na Câmara, que ela não lê o que ela assina”, declarou Segalla, ao interpretar respostas dadas pela prefeita durante a oitiva. Antes de deixar a tribuna, lamentou a repercussão negativa dos acontecimentos envolvendo Bauru e afirmou acreditar que as investigações ainda podem trazer novos elementos. “Vem mais coisa aí, infelizmente”, concluiu.
Eduardo Borgo (Novo) voltou a fazer críticas a Renato Purini e relembrou a atuação engajada dele durante o processo de cassação que enfrentou na legislatura passada. Borgo pediu que o Gaeco analise as mensagens trocadas pelo ex-secretário nos dias das votações das concessões do lixo e do esgoto e defendeu que, se forem encontrados elementos de irregularidade, sejam requeridas prisões preventivas. Nesse sentido, também afirmou haver comentários sobre possível desaparecimento de provas e cobrou rapidez nas investigações. O vereador retomou ainda críticas à tramitação da concessão do esgoto, disse que Purini atuou diretamente junto aos vereadores durante a votação e questionou medidas jurídicas adotadas à época para alterar prazos e quórum de aprovação. Borgo destacou que um dos procuradores jurídicos da Câmara, contratado por menor preço pela Presidência da Casa à época e que atuou naquele processo, passou posteriormente a trabalhar na CSB, atual concessionária do serviço de esgoto, e apresentou esse vínculo como parte das razões de sua crítica à condução da matéria. Também citou problemas atualmente registrados na prestação do serviço e afirmou que havia alertado, desde o início do mandato, para riscos nas decisões do governo. Ao final, questionou a afirmação de que a prefeita Suéllen Rosim desconhecia fatos hoje investigados.
Mané Losila (MDB) demonstrou preocupação com a demora da Emdurb no atendimento a solicitações encaminhadas por seu gabinete. Apesar de afirmar ser “bem atendido” pela empresa, o vereador destacou que medidas como implantação de faixas de pedestres, recapeamento e instalação de coberturas em pontos de ônibus, solicitadas há meses, ainda não foram executadas. O parlamentar também defendeu a estruturação de uma política ambiental permanente para a manutenção de árvores que ameaçam a rede de fiação elétrica, especialmente em períodos chuvosos, mesmo com o acompanhamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente em algumas ocorrências já registradas. Mané reforçou ainda pedidos por uma solução definitiva para um buraco na quadra 4 da Avenida Affonso José Aiello e para um vazamento de esgoto no bairro Nova Esperança. Por fim, comentou a prisão de Renato Purini, lamentou a situação vivida pelo município e afirmou que “a população não merece passar por isso”.
Marcelo Afonso (PSD) abordou a situação dos pontos de ônibus em Bauru, revelando que serviços de instalação e manutenção não estão sendo realizados. Ele exibiu fotos de diferentes locais da cidade nos quais os pontos estão sem infraestrutura, mesmo recebendo um alto fluxo de pessoas. Além disso, ele contou que recebe reclamações de atrasos nas linhas do transporte coletivo. Neste contexto, Marcelo anunciou um projeto de lei que permite a “adoção” de pontos de ônibus por empresas privadas, nos quais elas oferecem conexão com a internet, pontos de energia e videomonitoramento em troca da publicidade no local. O vereador mostrou que isso já acontece em Marília, e afirmou que a legislação, se aprovada, ajudaria a “fomentar a economia do município e trazer segurança e conforto para o usuário”.
Márcio Teixeira (PL) também lamentou os recentes desdobramentos das investigações do Gaeco em Bauru e afirmou que ainda há contratos de diferentes secretarias que precisam ser apurados. Ao tratar da área de resíduos, fez críticas à ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Bordezan, presa pela Operação Cavalo de Troia em setembro de 2026. “Ela queria a cidade suja”, afirmou. O vereador reiterou sua posição contrária à concessão do lixo e destacou especificamente o contrato de transbordo dos resíduos sólidos, firmado pela Secretaria de Meio Ambiente com a Estre durante a gestão de Cilene. Segundo Teixeira, o Município poderia economizar cerca de R$ 14 milhões por ano caso o serviço fosse executado pela Emdurb, em vez de permanecer sob responsabilidade da empresa contratada. O parlamentar também voltou a defender a realização de mutirões de tapa-buraco e limpeza de bueiros aos finais de semana, especialmente durante o período de chuvas.
Markinho Souza (MDB) usou a tribuna para esclarecer seu posicionamento sobre as concessões aprovadas no município, que passaram a ser alvo de questionamentos diante das investigações sobre suspeitas de fraude no processo do lixo. O vereador afirmou que parlamentares que votaram favoravelmente à concessão vêm sendo “massacrados nas redes sociais como se fossem bandidos” e defendeu cautela antes de qualquer responsabilização. O presidente da Câmara também ressaltou que modelos de concessão, como a PPP da iluminação pública, têm apresentado resultados positivos para Bauru. Sobre o lixo e o esgoto, afirmou que as autorizações foram aprovadas pelo Legislativo com o objetivo de buscar melhorias para a cidade. Em relação à concessão dos resíduos, declarou: “Eu sou a favor que pare de se enterrar 300 toneladas de lixo por dia”. Já sobre o esgoto, disse que, diante da impossibilidade de novos aditivos contratuais, a concessão foi o caminho encontrado para viabilizar a conclusão das obras. Por fim, sustentou que a Câmara responde pelas decisões tomadas durante a tramitação e votação das propostas, mas não pela execução posterior dos contratos pelo Executivo.
Miltinho Sardin (PSD), presidente da Comissão Processante (CP) do Lixo, avaliou como “bem-sucedida” a oitiva da prefeita Suéllen Rosim (PSD), realizada na última sexta-feira (16/10), e afirmou que a Câmara mantém a responsabilidade de dar respostas à população. “Independentemente de quem seja, que pague”, declarou. Na sequência, retomou uma demanda apresentada no Rol de Oradores da 37ª Sessão Ordinária sobre trilhos desnivelados na Rua São Sebastião. Segundo o vereador, o ponto recebeu uma manta asfáltica, solução que classificou como “paliativa”. Miltinho também cobrou melhorias na sinalização viária em cruzamentos do Estoril V e agradeceu o atendimento de solicitações encaminhadas por seu gabinete às secretarias de Infraestrutura, de Serviços Urbanos e de Aprovações de Projetos.
Natalino da Pousada (PDT) parabenizou o posicionamento da presidente do Conselho Tutelar 1 de Bauru, Márcia Pereira da Silva Benevenuto, que utilizou a Tribuna Livre para reivindicar melhores condições de trabalho e mudanças na legislação municipal. O vereador afirmou que “já passou da hora” de Bauru contar com uma terceira unidade do Conselho Tutelar e colocou seu mandato à disposição para apoiar a demanda. Na sequência, comentou a situação política do município, que classificou como “lamentável”, e disse que, entre os mandatos que já exerceu, o atual tem sido o mais difícil na busca por soluções para os problemas da cidade. Natalino também declarou apoio ao projeto apresentado por José Roberto Segalla (União Brasil) para extinguir a cobrança destinada ao tratamento de esgoto. “Em Bauru, você paga por uma coisa que você não tem, que é o tratamento de esgoto”, afirmou. Por fim, abordou obras e demandas de bairros da Zona Norte.
Pastor Bira (Podemos) anunciou que apresentará um requerimento de informações à Prefeitura, com base no artigo 18 da Lei Orgânica Municipal, para cobrar esclarecimentos sobre o futuro dos servidores do DAE. “Nós temos que antecipar o movimento”, defendeu. O vereador retomou uma preocupação já apresentada no Rol de Oradores da 37ª Sessão Ordinária, quando relatou atrasos no pagamento do benefício do biênio a servidores da autarquia e questionou como ficarão esses trabalhadores após a concessão do esgoto. Segundo Bira, “o servidor precisa de segurança jurídica, precisa saber quais são os seus direitos, onde poderá trabalhar e como a sua carreira será preservada”. O parlamentar lembrou que votou contra a concessão e afirmou que sua posição é contrária ao modelo adotado, e não à necessidade de tratamento do esgoto. Também declarou apoio ao Projeto de Lei apresentado por José Roberto Segalla (União Brasil), que propõe extinguir a cobrança destinada ao tratamento de esgoto. Outro tema abordado foi a necessidade de ampliar a estrutura do Conselho Tutelar. Bira destacou que, aos finais de semana, Bauru conta com apenas um conselheiro de plantão e afirmou que limitações orçamentárias vêm impedindo a criação de uma terceira unidade no município.
André Maldonado (PP) comentou os recentes desdobramentos da Operação Cavalo de Troia e afirmou que a cidade e suas instituições são prejudicadas pelo cenário atual. O vereador defendeu que as investigações prossigam com transparência e seriedade, mas pediu cautela com condenações antecipadas, inclusive em relação aos parlamentares que votaram favoravelmente à concessão. Nesse contexto, Maldonado rebateu críticas de que o projeto de sua autoria que trata da proibição de eventos ou práticas que promovam, incentivem ou façam apologia ao uso de drogas (Processo nº 314/2025), teria sido apresentado como uma “cortina de fumaça” diante dos acontecimentos recentes. “Então quer dizer que o Legislativo tem que parar de trabalhar?”, questionou. O parlamentar afirmou que a Câmara deve continuar exercendo suas demais atribuições e destacou que a apuração relacionada à concessão segue em andamento por meio da Comissão Processante.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


