Emdurb pode reduzir quantidade de parquímetros, mas justifica manutenção de número mínimo de máquinas por inclusão digital
Na tarde desta quinta-feira (13/08), o presidente da Emdurb, Donizete do Carmo dos Santos, prestou seu segundo depoimento à “CEI do Estacionamento Rotativo”, Comissão Especial de Inquérito criada pela Câmara Municipal de Bauru para apurar aspectos jurídicos, financeiros, operacionais e tecnológicos relacionados ao contrato firmado entre a Emdurb e o Consórcio Park Bauru (processo n.º 142/2026).
A primeira vez em que Donizete esteve perante a comissão foi no dia 2 de julho (confira aqui). Desta vez, o objetivo era obter esclarecimentos complementares em relação às questões já tratadas anteriormente com ele.
Os primeiros questionamentos disseram respeito aos motivos que levaram a Empresa Municipal a optar pelo contrato com o Consórcio Park Bauru para aumentar a eficiência financeira do estacionamento rotativo – na época, foi constatado um déficit anual de R$ 600 mil com o serviço.
Segundo Donizete, o que foi avaliado foi o custo-benefício. Seria preciso cerca de 40 agentes para dar conta da fiscalização do rotativo de toda a cidade, o que custaria em torno de R$ 313 mil mensais somente com salário. Já o custo mensal do contrato com o Consórcio Park Bauru é de R$ 238 mil.
“O custo-benefício com a contratação do serviço seria muito melhor do que com a contratação de funcionários”, explicou, argumentando também que a Emdurb fez visitas em outras cidades buscando alternativas viáveis para Bauru.
Preocupação recorrente da CEI, as máquinas de parquímetro também entraram para a pauta da tarde. Os membros da Comissão já chegaram a pleitear a retirada dos equipamentos em razão de seu alto custo: eles representam cerca de 52% do valor global do contrato, enquanto dados de utilização apontam que correspondem a menos de 2% da arrecadação obtida com o estacionamento rotativo (outras formas de pagamento são QR Code e aplicativo, por exemplo).
Nesse sentido, Donizete pontuou que a Emdurb já reduziu 11 máquinas e, a partir disso, ainda tem a intenção de diminuir em até 25% o número total de equipamentos, percentual permitido pelo próprio contrato. O acordo também prevê uma reavaliação para redução dos parquímetros a cada 12 meses. A empresa está verificando a possibilidade jurídica de diminuir este prazo para seis meses.
Quanto à solicitação dos vereadores de retirar a modalidade de pagamento da área azul por meio dos parquímetros em razão do seu alto custo, o presidente argumentou que eles são necessários, mesmo que em um número mínimo, em razão da acessibilidade: “precisamos pensar na inclusão digital. Muitas pessoas ainda têm dificuldade para utilização de celular, internet, QRCode, e o parquímetro ajuda nisso”, disse.
Ele ainda afirmou que, mesmo com a revogação da expansão da área azul, atualmente o contrato se paga. Uma melhor avaliação do impacto financeiro da retirada de 1.400 vagas do estacionamento rotativo deve ser feita daqui três meses, quando a população internalizar melhor as mudanças.
Justamente quanto a isso, o presidente da Emdurb finalizou sua participação reconhecendo que muitos dos problemas enfrentados na aceitação das mudanças vieram por falhas de comunicação.
Donizete comentou que a empresa repetiu a mesma estratégia que utilizava para criação de área azul em poucas quadras de uma vez: ampliar e depois comunicar. Dessa vez, com o aumento de 1400 vagas, perceberam que o critério não deu certo, o que gerou um impacto negativo no entendimento e recebimento das mudanças pela população.
“A gente precisava de, pelo menos, uns 60 dias fazendo a divulgação para chegar à fiscalização e depois a cobrança. Essa foi a nossa falha. Nós entendemos que fizemos errado, por isso, entendemos também que precisaria suspender a ampliação”, pontuou, acrescentando que, a partir de agora, qualquer ampliação será avisada com pelo menos 30 dias de antecedência.
Convidados e próximas reuniões
Além do presidente da Emdurb, a prefeita Suéllen Rosim (PSD) também foi convidada a prestar depoimento nesta quinta-feira, mas declinou o convite por compromissos assumidos previamente.
Já os representantes do Consórcio Park Bauru, que receberam o mesmo convite, solicitaram o agendamento de uma nova data. Eles devem ser ouvidos às 14h do dia 27 de agosto, de maneira remota. Na quinta-feira, dia 20, a CEI também se reúne.
A Comissão ainda pediu um parecer jurídico para verificar se podem convocar ou somente enviar convites para ouvir os depoimentos da ex-presidente da Emdurb, Gislaine Magrini, e do ex-diretor financeiro, Bruno Primo.
Quem esteve presente
Participaram da oitava reunião da CEI do Estacionamento Rotativo o presidente do colegiado, vereador Pastor Bira (Podemos), e os vereadores Casemiro Neto (PSD) e Márcio Teixeira (PL). Também acompanharam o encontro o representante da OAB-Bauru, José Clemente Resende; o presidente da Assenag (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru), Edvaldo Lopes Ferraz; e representando o Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Bauru), Paulo Tambara.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru


