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Rafael Moia recebe Título de ‘Cidadão Bauruense’ e destaca vínculo construído com a cidade

Trinta anos depois de se mudar de São Paulo para Bauru, Rafael Moia Filho recebeu da Câmara Municipal, na noite desta sexta-feira (16/10), o Título de “Cidadão Bauruense”. Escritor, analista político e integrante da Academia Bauruense de Letras, ele associou a homenagem à relação construída com a cidade desde 1996. “É um orgulho impensável diante da cidade que me acolheu”, afirmou durante a Sessão Solene.

A honraria foi proposta pelo vereador Natalino da Pousada (PDT) e aprovada por unanimidade pelo Plenário em outubro do ano passado.

O título é concedido pelo Legislativo a pessoas que não nasceram em Bauru, mas tiveram atuação reconhecida no município. Moia nasceu na cidade de São Paulo e viveu na capital até os 38 anos.

Depois da entrega da placa, um vídeo com depoimentos de familiares levou o homenageado às lágrimas. Ao ocupar a tribuna mais tarde, Moia retomou momentos da própria história, lembrou a origem em uma família de poucos recursos e a perda do pai ainda cedo e falou sobre caminhos que não imaginava percorrer quando chegou a Bauru para trabalhar.

“Não poderia imaginar, quando cheguei para trabalhar aqui, que escreveria dez livros e seria membro da Academia”, disse. No discurso, também citou personalidades ligadas à história e à cultura de Bauru e afirmou sentir que conseguiu deixar sua contribuição à cidade por meio da literatura, da participação social e de outras atividades desenvolvidas ao longo das últimas três décadas.

Da vida profissional à literatura

A mudança para Bauru ocorreu em 1996. Na cidade, Moia trabalhou na Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e na Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista até 2006, além de ter passado pelo Fórum Criminal entre 1996 e 1997. Encerrou a atividade profissional na Hidrovia Tietê-Paraná, em 2011. Sua trajetória na Cesp havia começado ainda em 1974, como contínuo da presidência da empresa; ao longo de 38 anos, ocupou diferentes funções e chegou à área de gestão de Recursos Humanos.

Foi em Bauru também que a produção literária ganhou espaço. Moia publicou dez livros, todos lançados na cidade, e em 2024 passou a integrar a Academia Bauruense de Letras (ABL), ocupando a cadeira nº 33, que tem Mário Lago como patrono. Além dos livros, construiu uma produção regular de artigos para jornais, revistas e meios digitais.

Durante a solenidade, Moia lembrou que começou escrevendo artigos e que posteriormente passou aos livros e ao ambiente digital. Segundo ele, o blog que mantém já ultrapassou 2,4 milhões de acessos.

A relação com a comunicação também passou pelo rádio e pela televisão. Ao longo dos anos, atuou como comentarista nas rádios Auriverde e Jovem Pan, apresentou o programa “Bauru Fala”, na TVC, e participou de coberturas eleitorais como comentarista em emissoras locais.

Participação na vida pública de Bauru

Outro aspecto lembrado na homenagem foi a participação de Moia na ONG Batra – Bauru Transparente, entidade da qual chegou a ser presidente. No período, participou de iniciativas voltadas à transparência pública, ao combate à corrupção, à educação cidadã e ao voto consciente. A justificativa do projeto que concedeu o título registra a realização de mais de cem palestras em escolas, universidades e fábricas.

Ao recordar essa experiência na tribuna, Moia afirmou ter encontrado na entidade uma oportunidade de exercer a cidadania de forma mais direta. “Sinto que pude dar uma pequena contribuição para a cidade de Bauru, sempre buscando o melhor pela cidade e respeitando a todos”, declarou antes de agradecer aos vereadores pela concessão da honraria.

Natalino da Pousada, autor do projeto que deu origem ao Decreto Legislativo n.º 2.412/2025 (Processo n.º 296/2025), leu durante a solenidade a justificativa apresentada ao Legislativo para a concessão da honraria e ressaltou que a proposta foi aprovada sem votos contrários. “Você realmente foi aclamado do início ao fim da tramitação do projeto até que fosse aprovado”, afirmou.

Ao entregar simbolicamente a condição de cidadão ao homenageado, completou: “Daqui por diante, você é eternamente nosso cidadão bauruense”.

Reconhecimento também pela literatura

A participação de Moia na vida literária da cidade também foi destacada pela presidente da Academia Bauruense de Letras, Olinda Aparecida Bassan Franco. Convidada pelo presidente da Câmara, Markinho Souza (MDB), a falar fora do protocolo previsto para a cerimônia, ela defendeu que reconhecimentos como aquele sejam feitos ainda em vida.

Em nome dos acadêmicos, Olinda descreveu Moia como um integrante presente da entidade, atento à língua portuguesa e às questões sociais. Segundo ela, o escritor mantém um olhar voltado não apenas à literatura, mas também aos assuntos da cidade. “É um crítico construtivo que olha para além das paredes da sua casa e da Academia”, afirmou.

A fala dialogou com a própria trajetória apresentada pelo homenageado. Ao agradecer o título, Moia relacionou a produção literária à participação na vida pública e disse chegar à homenagem com a sensação de “dever cumprido”.

A Sessão Solene foi presidida pelo vereador Markinho Souza (MDB) e secretariada por Márcio Teixeira (PL), que disse ao homenageado que, a partir de agora, passaria a ter “duas certidões de nascimento”.

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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