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Após debate sobre transparência dos custos, Câmara aprova aumento do subsídio ao transporte coletivo

Em primeira e segunda discussão, nas sessões ordinária e extraordinária realizadas nesta segunda-feira (15/06), o Plenário da Câmara Municipal de Bauru aprovou o Projeto de Lei n.º 41/2026 que autoriza e amplia a concessão de subsídio tarifário ao Transporte Público Coletivo Urbano de Passageiros no Município de Bauru (Processo n.º 116/2026).

A proposta foi aprovada por 11 votos favoráveis e oito contrários. Votaram contra os vereadores Junior Lokadora (Podemos), Emerson Construtor (Podemos), Cabo Helinho (PL), José Roberto Segalla (União Brasil), Julio Cesar (PP), Eduardo Borgo (Novo), Márcio Teixeira (PL) e Pastor Bira (Podemos).

A vereadora Estela Almagro (PT) justificou ausência nas sessões. Conforme prevê o Regimento Interno da Câmara, o presidente da Casa, vereador Markinho Souza (MDB), somente votaria em caso de empate.

Cobrança por transparências

Embora tenham divergido quanto à tramitação da proposta e à documentação apresentada pelo Poder Executivo, vereadores favoráveis e contrários ao projeto afirmaram defender a política de subsídio ao transporte coletivo, concentrando as críticas na falta de estudos técnicos e de maior transparência sobre os critérios que embasaram a ampliação do repasse.

Entre os questionamentos levantados estiveram a ausência, no processo encaminhado pela prefeita Suéllen Rosim, do pedido formal de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e dos estudos técnicos e econômicos que justificassem o aumento do subsídio de R$ 1,00 para R$ 1,25 por viagem, destinado a manter a tarifa paga pelo usuário em R$ 5,75, diante de um custo total do sistema estimado em R$ 7,00 por passageiro.

Com a ampliação aprovada, o valor destinado pelo município ao subsídio do transporte coletivo poderá chegar a R$ 19.377.300,00 em doze meses.

Líder do governo

Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Orçamento e líder da base de apoio ao governo municipal, o vereador Sandro Bussola (MDB) protocolou, no início da tarde desta segunda-feira, três documentos junto à Diretoria de Apoio Legislativo: o requerimento da Transurb pleiteando a revisão tarifária, a metodologia utilizada para composição dos custos do sistema e o cálculo tarifário datado de 1º de abril de 2026.

Na tribuna, Bussola defendeu a aprovação do projeto, com efeitos retroativos a 1º de maio de 2026, argumentando que a medida evita o aumento da tarifa paga pelos usuários. Segundo o parlamentar, sem a autorização para o pagamento do subsídio pelo município, a tarifa integral de R$ 7,00 poderia ser repassada à população.

O vereador também ressaltou que a política de subsídio ao transporte coletivo já está em vigor no município e que o projeto apenas renova a autorização legislativa, elevando o valor do repasse às empresas responsáveis pela operação do serviço.

Apontamentos

Antes da discussão do projeto, o Plenário rejeitou, por 11 votos a oito, o pedido do vereador Eduardo Borgo para retirada da matéria da pauta. O parlamentar argumentou que a ausência de embasamento técnico para a concessão do novo subsídio tornaria ilegal a aprovação da proposta encaminhada pelo Poder Executivo. Ele apontou ainda que documentos anexados pelo líder do governo ao processo não assinado assinados.

Também pelo placar de 11 a 8, foi rejeitado o pedido de sobrestamento por duas semanas, apresentado pelo vereador Márcio Teixeira.

Durante a votação, o vereador Pastor Bira esclareceu ter se confundido ao votar contra a retirada de pauta e explicou que, por esse motivo, manifestou-se favoravelmente ao adiamento da apreciação do projeto. Como membro da Comissão de Economia, Finanças e Orçamento, o parlamentar lembrou que já havia se posicionado contrário à tramitação da matéria em razão da ausência dos estudos técnicos, situação que, segundo ele, também havia sido apontada pela Procuradoria Jurídica da Prefeitura.

Já o vereador Beto Móveis (Republicanos) votou favoravelmente à retirada da pauta, mas foi contrário ao pedido de sobrestamento.

Debate em plenário

Durante a discussão, os vereadores Márcio Teixeira, José Roberto Segalla, Cabo Helinho, Julio Cesar, Junior Lokadora e Emerson Construtor defenderam o adiamento da votação para permitir uma análise mais cuidadosa da matéria, diante do impacto financeiro estimado em quase R$ 20 milhões anuais.

Parte dos parlamentares também rebateu o argumento de que um eventual aumento da tarifa decorreria da não aprovação imediata da proposta, sustentando que a responsabilidade pela apresentação da documentação necessária caberia ao Poder Executivo.

Entre as manifestações, José Roberto Segalla citou a recente sanção do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano, destacando que a legislação amplia as exigências de transparência na divulgação de custos, tarifas, receitas e indicadores do sistema.

Novo prazo para a ‘Lei das Adegas’

Também foi aprovado, em primeira e segunda discussões, o Projeto de Lei de autoria de diversos vereadores que altera o artigo 10 da Lei Municipal n.º 8.017/2026, responsável por regulamentar o funcionamento de adegas, disk-cervejas e estabelecimentos similares em Bauru (Processo n.º 124/2026).

A mudança amplia de 60 para 180 dias o prazo para entrada em vigor da legislação. Segundo a justificativa da proposta, a alteração atende reivindicação de comerciantes do setor e busca garantir mais tempo para adequação às novas regras enquanto prosseguem os debates sobre pontos considerados conflitantes da norma. Nesse contexto, foi anunciada audiência pública para o dia 3 de julho.

A ampliação do prazo foi um dos encaminhamentos definidos após reunião entre vereadores e representantes das adegas realizada na Câmara, quando também foi anunciada a retomada do debate sobre a legislação em audiência pública agendada para o dia 3 de julho.

A matéria recebeu voto contrário do vereador Cabo Helinho (PL). Na tribuna, o parlamentar afirmou ser favorável ao setor e ao empreendedorismo, mas defendeu que não haveria justificativa para ampliar o prazo de vigência de uma lei que busca promover mais “ordem e decência” e minimizar transtornos enfrentados, sobretudo, por moradores vizinhos aos estabelecimentos.

Fibromialgia, Mounjaro e valorização dos vigilantes

Por unanimidade dos presentes, o Plenário aprovou mais três projetos de iniciativa parlamentar voltados às áreas da saúde e da valorização profissional.

De autoria do vereador André Maldonado (PP), o Projeto de Lei que institui o Programa de Atendimento Multidisciplinar para Tratamento da Fibromialgia no Município de Bauru (Processo n.º 71/2026 ) tem como objetivo garantir assistência integral às pessoas diagnosticadas com a doença, além de promover ações de conscientização, apoio às famílias e incentivo à pesquisa. Durante a votação, também foi aprovada uma emenda supressiva apresentada pelo próprio autor, promovendo adequações no texto sem alterar a finalidade da proposta.

Já o Projeto de Lei de autoria do vereador Sandro Bussola (MDB) (Processo n.º 75/2026) estabelece diretrizes para o fornecimento do medicamento Tirzepatida (Mounjaro) na rede municipal de saúde. Entre os critérios previstos estão a prescrição médica fundamentada, a comprovação do diagnóstico de obesidade grave com ineficácia dos tratamentos convencionais, residência no município e a comprovação de vulnerabilidade socioeconômica do paciente.

Também foi aprovado o Projeto de Lei dos vereadores Cabo Helinho (PL) e Junior Rodrigues (PSD) (Processo n.º 98/2026 ), que proíbe o constrangimento ao vigilante no exercício de sua profissão. Conforme a justificativa da proposta, a medida busca coibir situações de desrespeito e intimidação enfrentadas por esses profissionais durante o cumprimento de protocolos de segurança, fortalecendo o exercício da atividade e contribuindo para a proteção dos trabalhadores e da coletividade.

Outros projetos do Executivo
Além da ampliação do subsídio ao transporte coletivo, o Plenário aprovou outros dois projetos de iniciativa do Poder Executivo voltados à regularização de áreas e à atualização de legislações municipais.

O Projeto de Lei n.º 22/2026 (Processo n.º 73/2026 ) altera dispositivos da Lei Municipal n.º 7.289/2019, que autorizou a concessão de uma área pública à empresa E. C. Ribeiro & Cia de Construção de Concreto Ltda. (D Santo Ribeiro Concreto Ltda.), promovendo adequações na legislação relacionada ao imóvel.

Já o Projeto de Lei n.º 36/2026 (Processo n.º 95/2026 ) altera a Lei Municipal n.º 2.955/1988, que autorizou a alienação de áreas públicas aos proprietários de imóveis lindeiros à Rua Eugênio Borro, no Jardim Gerson França.

Segundo a justificativa encaminhada pela prefeita Suéllen Rosim, a medida busca corrigir divergências entre a descrição das áreas prevista na legislação e as matrículas imobiliárias abertas com base em levantamento topográfico realizado em 1983. Com a atualização, será possível viabilizar a regularização definitiva dos imóveis junto ao cartório competente.

Doação de área segue em discussão

O plenário sobrestou por mais duas sessões o Projeto de Lei n.º 107/2025 (Processo n.º 366/2025 ), de autoria da prefeita Suéllen Rosim, que autoriza a doação de uma área no Distrito Industrial III à empresa América Light Iluminação e Decoração Ltda.

O adiamento, solicitado pelo vereador André Maldonado (PP), ocorre em meio às discussões sobre a exigência de assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para formalização da doação.

A questão já havia sido debatida em reunião pública promovida pela Comissão de Justiça, Legislação e Redação. De acordo com o presidente do colegiado, vereador Mané Losila (MDB), representantes do Executivo, do setor empresarial e vereadores debateram a segurança jurídica do procedimento e a possibilidade de substituição do TAC por um checklist de obrigações.

Durante a discussão, o presidente da Câmara, vereador Markinho Souza (MDB), informou que as secretarias municipais envolvidas reconheceram que o TAC não seria o instrumento jurídico mais adequado ao caso e se comprometeram a promover a adequação do processo, que volta à Ordem do Dia em duas semanas.

Demais matérias aprovadas

Em segunda discussão na sessão ordinária, foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei do vereador Arnaldinho Ribeiro (Avante) que estabelece diretrizes para a padronização, divulgação e transparência dos canais de atendimento emergencial da Defesa Civil no município de Bauru (Processo n.º 105/2026).

Já em discussão única, os vereadores aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) do vereador Markinho Souza (MDB), que concede a Medalha do Mérito “Custos Vigilat” à Gecon Gestão de Condomínios e Franchising.

Moções

Quatro moções de aplauso também foram aprovadas. Confira:

Moção n.º 136/2026: De Aplauso ao Sindicato dos Contabilistas de Bauru e Região (Sindcon-Bauru), em reconhecimento à sua brilhante trajetória, aos relevantes serviços prestados à classe contábil e à significativa contribuição social, institucional e comunitária ao longo de sua história | Autor: André Maldonado (PP).

Moção n.º 137/2026: De Aplauso ao Pastor Valdecir Rodrigues de Souza, em reconhecimento à sua notável trajetória de fé, liderança, evangelização e serviço à comunidade, construída ao longo de décadas de dedicação ao Reino de Deus e ao próximo | Autor: Marcelo Afonso (PSD).

Moção n.º 138/2026: De Aplauso ao Policial Militar Luciano Nunes Maria, o Cabo Nunes, em reconhecimento público à sua história de vida e relevante atuação profissional | Autor: Marcelo Afonso (PSD).

Moção n.º 139/2026: De Aplauso ao Senhor Vitor Vidal dos Santos Leão e à agência Amigos da Aventura pelo trabalho desenvolvido ao incentivar o turismo de aventura com segurança e promover experiências inesquecíveis em contato com a natureza | Autor: Diversos Vereadores.

Projetos que deram entrada

Quatro matérias começaram a tramitar na Câmara de Bauru nesta segunda-feira. Confira:

  • Processo nº 138/2026: Projeto de Lei nº 43/26 que altera os arts. 1º, 3º, 4º, 5º, 11 e 13 da Lei Municipal nº 7319, de 09 de janeiro de 2020, que dispõe sobre parâmetros especiais para a regularização de edificações e dá outras providências | Autora: Prefeita Municipal.
  • Processo nº 139/2026: Projeto de Decreto Legislativo que concede a Medalha “Mérito de Serviço e Proteção Comunitária” ao 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM/I) | Autor: Cabo Helinho (PL).
  • Processo nº 140/2026: Projeto de Decreto Legislativo que concede a Medalha “Mérito de Serviço e Proteção Comunitária” ao 13º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (13º BAEP) | Autor: Cabo Helinho (PL).
  • Processo n° 141/2026: Projeto de Lei que declara o artesanato local como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Bauru, institui o Sistema Municipal de Fomento ao Artesanato e dá outras providências | Autor: Markinho Souza (MDB).

Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

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