Na Tribuna: Críticas aos serviços da Companhia Saneamento de Bauru (CSB) dominam os discursos de vereadores
Nesta segunda-feira (24/08), a Câmara Municipal de Bauru realizou a 30ª Sessão Ordinária de 2026. Durante o Rol de Oradores, 7 vereadores usaram a tribuna da Casa de Leis. Confira aqui o que cada parlamentar abordou:
Mané Losila (MDB) cobrou da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento o alargamento da estrada rural que dá acesso à quadra 37 da rua Castelo Branco. De acordo com o vereador, em casos de obstrução da via, os moradores da região acabam ficando isolados. Além disso, há o risco de acidentes porque a estrada é estreita, admitindo apenas um carro por vez. Dessa forma, Mané solicitou ao titular da pasta, o secretário Jorge Luís de Souza, um estudo de viabilidade para a realização da obra.
Márcio Teixeira (PL) repercutiu a suspensão do edital de concessão do sistema de gestão integrada de resíduos sólidos urbanos do município (a chamada “PPP do Lixo”), determinada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) após representação do próprio vereador. Márcio expôs que foi criticado por membros do Executivo Municipal e teve sua capacidade técnica para analisar editais questionada. Para ele, no entanto, a decisão do TCE comprova sua competência. O parlamentar ainda fez duras críticas à Companhia Saneamento de Bauru (CSB), nova responsável pelo esgoto da cidade. Márcio classificou a concessão como “vergonhosa e desastrosa”, além de denunciar o faturamento errado de contas de água, vazamentos de esgoto sem o reparo necessário, falta de comunicação da empresa com a população e a resistência da companhia em realizar a “instalação social”, voltada para pessoas de baixa renda. Por fim, o parlamentar sugeriu a revisão da Lei Orgânica do Município para que a Câmara possa convocar membros da CSB para prestar esclarecimentos.
Natalino da Pousada (PDT) anunciou que terá uma reunião com diretores da Companhia Saneamento de Bauru (CSB). O objetivo, segundo o vereador, é esclarecer como está funcionando a concessionária e levar reclamações da população sobre os serviços prestados por ela: “está trazendo uma insegurança e uma instabilidade muito grande”, disse. Natalino também expôs relatos de munícipes de diferentes regiões da cidade que apontam pontos de vazamento de esgoto e ineficiência dos funcionários da CSB. Por fim, o parlamentar abordou a importância do debate sobre o novo Plano Diretor de Bauru, que tramita na Câmara. “São conversas que, na prática, não acontecem e a população está indignada”, declarou o vereador. Além disso, ele também repudiou a falta de planejamento para construção de escolas em bairros da região norte da cidade.
Pastor Bira (Podemos) expôs o teor do Projeto de Lei (PL) que reconhece o artesanato local como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Bauru e instaura o Sistema Municipal de Fomento ao Artesanato (Processo 141/2026). Proposto por Bira e pelo vereador Markinho Souza (MDB), o PL foi aprovado nesta segunda-feira, nas duas rodadas de votação. O parlamentar argumentou que a medida ajuda a reconhecer a atividade dos artesãos da cidade e incentivar a criação de políticas públicas para o segmento. Além disso, Bira enfatizou a importância dos artesãos para a economia local, já que contribuem com a geração de empregos e a circulação de renda. O parlamentar também fez um balanço da Audiência Pública que realizou em junho deste ano para debater o tema com representantes do setor e da Administração Municipal. Assim, reiterou que é necessário avançar no mapeamento dos artesãos em Bauru e na criação da Feira Municipal de Artesanato.
Edson Miguel (Republicanos) comentou sobre o Substitutivo ao Projeto de Lei que dispõe sobre a implantação de ações de capacitação sobre o Transtorno do Espectro Autista e demais neurodivergências na rede municipal de ensino (Processo n.º 102/2026). Proposta por ele, a matéria acabou aprovada nesta segunda-feira. “Quando falamos do TEA e outras neuroemergências, a inclusão é fundamental”, disse Edson Miguel. O vereador também ressaltou que os professores do município realizam um trabalho exemplar nesse quesito e apontou que o objetivo de seu projeto é capacitar ainda mais os profissionais que convivem com crianças TEAs e neurodivergentes. Por fim, o parlamentar lembrou da Audiência Pública sobre o assunto, realizada no dia 9 de junho na Sorri Bauru. Na ocasião, segundo ele, foi possível ouvir as demandas das famílias dessas crianças.
Cabo Helinho (PL) fez coro às críticas apresentadas contra a Companhia Saneamento de Bauru (CSB) na tribuna. O vereador afirmou que, apesar de não ser possível culpabilizar a concessionária por problemas antigos, as práticas da empresa têm sido “nefastas” e “criminosas”. O parlamentar referiu-se, por exemplo, ao despejo de dejetos em vias públicas após o desentupimento e desobstrução de encanamentos de esgoto. De acordo com Helinho, essa operação é considerada crime ambiental e uma denúncia deve ser encaminhada para o Ministério Público. Falando sobre saúde, o vereador ainda contou que enviou R$ 100 mil em emendas impositivas para a saúde de Bauru e que esse montante será destinado a reformas na UBS do Jardim Jussara/Celina, incluindo a construção de uma unidade do Programa Farmácia Popular. Por fim, Helinho pontuou que o Programa Muralha efetuou cinco prisões na última semana em Bauru.
José Roberto Segalla (União Brasil) criticou a atuação da CSB, mas lembrou que erros na conta de água, como o que ganhou repercussão na Câmara na semana passada, também ocorriam quando o DAE fazia as cobranças. Na sequência, Segalla direcionou suas críticas ao objeto da concessão aprovada, que prevê a execução e exploração dos serviços públicos de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários. “Não tem uma palavra aqui a respeito da água!”, afirmou o vereador, apontando que os serviços relacionados ao tratamento e à distribuição de água deveriam continuar com o DAE. Segalla ainda afirmou que os vereadores que votaram favoravelmente à concessão fizeram isso sem conhecer o projeto. “Essas são as dificuldades de se fazer as coisas da forma como se faz aqui na Câmara, com aprovação enfiada goela à baixo”, declarou. O parlamentar também apontou a dificuldade do Legislativo Municipal em estabelecer um debate com a concessionária: por não serem servidores públicos, os diretores da CSB não podem ser convocados para reuniões e audiências públicas e, portanto, não têm a obrigação de comparecer. Segalla finalizou o discurso lamentando o mau funcionamento da fiscalização do cumprimento das leis da cidade. “Nós trabalhamos aqui (na Câmara) para fazer a lei, mas nós não vemos aqueles que deveriam fazer com que essa lei seja cumprida”, afirmou.
Reprodução: Câmara Municipal de Bauru

